sexta-feira, 20 de abril de 2012

Associação

Se o homem pudesse contemplar com os próprios olhos as
correntes de pensamento, reconheceria, de pronto, que todos
vivemos em regime de comunhão, segundo os princípios da afinidade.
A associação mora em todas as coisas, preside a todos os acontecimentos
e comanda a existência de todos os seres.
Demócrito, o sábio grego que viveu na Terra muito antes do
Cristo, assevera que “os átomos, invisíveis ao olhar humano,
agrupam-se à feição dos pombos, à cata de comida, formando
assim os corpos que conhecemos”.
Começamos agora a penetrar a essência do microcosmo e, de
alguma sorte, podemos simbolizar, por enquanto, no átomo entregue
à nossa perquirição, um sistema solar em miniatura, no qual o
núcleo desempenha a função de centro vital e os elétrons a de
planetas em movimento gravitativo.
No plano da Vida Maior, vemos os sóis carregando os mundos
na imensidade, em virtude da interação eletromagnética das
forças universais.
Assim também na vida comum, a alma entra em ressonância
com as correntes mentais em que respiram as almas que se lhe
assemelham.
Assimilamos os pensamentos daqueles que pensam como
pensamos.
É que sentindo, mentalizando, falando ou agindo, sintonizamo-
nos com as emoções e idéias de todas as pessoas, encarnadas
ou desencarnadas, da nossa faixa de simpatia.

Estamos invariavelmente atraindo ou repelindo recursos mentais
que se agregam aos nossos, fortificando-nos para o bem ou
para o mal, segundo a direção que escolhemos.
Em qualquer providência e em qualquer opinião, somos sempre
a soma de muitos.
Expressamos milhares de criaturas e milhares de criaturas nos
expressam.
O desejo é a alavanca de nosso sentimento, gerando a energia
que consumimos, segundo a nossa vontade.
Quando nos detemos nos defeitos e faltas dos outros, o espelho
de nossa mente reflete-os, de imediato, como que absorvendo
as imagens deprimentes de que se constituem, pondo-se nossa
imaginação a digerir essa espécie de alimento, que mais tarde se
incorpora aos tecidos sutis de nossa alma. Com o decurso do
tempo, nossa alma, não raro, passa a exprimir, pelo seu veículo de
manifestação, o que assimilara, fazendo-o seja pelo corpo carnal,
entre os homens, seja pelo corpo espiritual de que nos servimos,
depois da morte.
É por esta razão que geralmente os censores do procedimento
alheio acabam praticando as mesmas ações que condenam no
próximo, porquanto, interessados em descer às minúcias do mal,
absorvem-lhe inconscientemente as emanações, surpreendendose,
um dia, dominados pelas forças que o representam.
Toda a brecha de sombra em nossa personalidade retrata a
sombra maior.
Qual o pequenino foco infeccioso que, abandonado a si mesmo,
pode converter-se dentro de algumas horas no bolo pestífero
de imensas proporções, a maledicência pode precipitar-nos no
vício, tanto quanto a cólera sistemática nos arrasta, muita vez, aos
labirintos da loucura ou às trevas do crime.

Pensando, conversando ou trabalhando, a força de nossas idéias,
palavras e atos alcança, de momento, um potencial tantas
vezes maior quantas sejam as pessoas encarnadas ou não que
concordem conosco, potencial esse que tende a aumentar indefinidamente,
impondo-nos, de retorno, as conseqüências de nossas
próprias iniciativas.
Estejamos, assim, procurando incessantemente o bem, ajudando,
aprendendo, servindo, desculpando e amando, porque,
nessa atitude, refletiremos os cultivadores da luz, resolvendo, com
segurança o nosso problema de companhia.