terça-feira, 29 de maio de 2012

Corpo


Abstendo-nos de qualquer digressão científica, porquanto os
livros técnicos de educação usual são suficientemente esclarecedores no que reporta aos aspectos exteriores do corpo humano,
lembremo-nos de que o Espírito, inquilino da casa física, lhe
preside à formação e à sustentação, consciente ou inconscientemente, desde a hora primeira da organização fetal, não obstante
quase sempre sob os cuidados protetores de Mensageiros da Providência Divina.
Trazendo consigo mesmo a soma dos reflexos bons e menos
bons de que é portador, segundo a colheita de méritos e prejuízos
que semeou para si mesmo no solo do tempo, o Espírito incorpora
aos moldes reduzidos do próprio ser as células do equipamento
humano, associando-as à própria vida, desde a vesícula germinal.
Amparado no colo materno, estrutura-se-lhe o corpo mediante
as células referidas, que,  em se multiplicando ao redor da matriz
espiritual, como a limalha de ferro sobre o ímã, formam, a principio, os folhetos blastodérmicos de que se derivam o tubo intestinal, o tubo nervoso, o tecido cutâneo, os ossos, os músculos, os
vasos.
Em breve, atendendo ao desenvolvimento espontâneo, achase o Espírito materializado na arena física, manifestando-se pelo
veículo carnal que o exprime. Esse veículo, constituído por  bilhões de células ou individuações microscópicas, que se ajustam
aos tecidos sutis da alma, partilhando-lhes a natureza eletromagnética, lembra uma oficina complexa, formada de bilhões de
motores infinitesimais, movidos por oscilações eletromagnéticas,
em comprimento de onda específica, emitindo irradiações pró-prias e assimilando as irradiações do plano em que se encontram,
tudo sob o comando de um único diretor: a mente.
Desde a fase embrionária do instrumento em que se manifestará no mundo, o Espírito nele plasma os reflexos que lhe são
próprios.
Criaturas existem tão conturbadas além-túmulo  com os problemas decorrentes do suicídio e do homicídio, da delinqüência e
da viciação, que, trazidas ao renascimento, demonstram, de imediato, os mais dolorosos desequilíbrios, pela disfunção vibratória
que os cataloga nos quadros da patologia celular.
As  enfermidades congênitas nada mais são que reflexos da
posição infeliz a que nos conduzimos no pretérito próximo,  reclamando-nos a internação na esfera física, às vezes por prazo
curto, para tratamento da desarmonia interior em que fomos comprometidos.
Surgem, porém, outras cambiantes dos reflexos do passado na
existência do corpo, da culpa disfarçada e dos remorsos ocultos.
São plantações de tempo certo que a lei de ação e reação governa,
vigilante, com segurança e precisão.
É por isso que, muitas vezes, consoante os programas traçados antes do berço, na pauta da dívida e do resgate, a criatura é
visitada por estranhas provações, em plena prosperidade material,
ou por desastres fisiológicos de comovente expressão, quando
mais irradiante se lhe mostra a saúde.
Contudo, é imperioso lembrar que reflexos geram reflexos e
que não há pagamento sem justos atenuantes, quando o devedor se
revela amigo da solução dos próprios débitos.
A prática do bem, simples e infatigável pode modificar a rota
do destino, de vez que o pensamento claro e correto, com ação
edificante, interfere nas funções celulares, tanto quanto nos eventos humanos, atraindo em nosso favor, por nosso reflexo melhorado e mais nobre, amparo, luz e apoio, segundo a lei do auxílio.

Pensamento e Vida/Emmanuel/FCX