quinta-feira, 24 de maio de 2012

INCOMPREENSÃO

"Fiz-me fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para
todos para, por todos os meios, chegar a salvar alguns". - Paulo. (1
CORÍNTIOS, 9:22.)



A incompreensão, indiscutivelmente, é assim como a treva perante a
luz, entretanto, se a vocação da claridade te assinala o íntimo,
prossegue combatendo as sombras, nos menores recantos de teu
caminho.
Não te esqueças, porém, da lei do auxílio e observa-lhe os princípios,
antes da ação.
Descer para ajudar é a arte divina de quantos alcançaram
conscienciosamente a vida mais alta.
A luz ofuscante produz a cegueira.
Se as estrelas da sabedoria e do amor te povoam o coração, não
humilhes quem passa sob o nevoeiro da ignorância e da maldade.
Gradua as manifestações de ti mesmo para que o teu socorro não se
faça destrutivo.
Se a chuva alagasse indefinidamente o deserto, a pretexto de saciarlhe
a sede, e se o Sol queimasse o lago, sem medida, com a desculpa
de subtrair-lhe o barro úmido, nunca teríamos clima adequado à
produção de utilidades para a vida. I
Não te faças demasiado superior diante dos inferiores ou
excessivamente forte perante os fracos.
Das escolas não se ausentam todos os aprendizes, habilitados em
massa, e sim alguns poucos cada ano.
Toda mordomia reclama noção de responsabilidade, mas exige
também o senso das proporções.
Conserva a energia construtiva do exemplo respeitável, mas não
olvides que a ciência de ensinar só triunfa integralmente no
orientador que sabe amparar, esperar e repetir.
Não clames, pois, contra a incompreensão, usando inquietude e
desencanto, vinagre e fel.
Há méritos celestiais naquele que desce ao pântano sem contaminarse,
na tarefa de salvação e reajustamento.
O bolo de matéria densa reveste-se de Iodo, quando arremessado ao
poço lamacento, todavia, o raio de luz visita as entranhas do abismo
e dele se retira sem alterar-se.
Que seria de nós se Jesus não houvesse apagado a própria claridade
fazendo-se à semelhança de nossa fraqueza, para que lhe
testemunhássemos a missão redentora? Aprendamos com ele a
descer, auxiliando sem prejuízo de nós mesmos.
E, nesse sentido, não podemos esquecer a expressiva declaração de
Paulo de Tarso quando afirma que, para a vitória do bem, se fez fraco
para os fracos, fazendo-se tudo para todos, a fim de, por todos os
meios, chegar a erguer alguns.