sábado, 2 de junho de 2012

COM REGOZIJO


Sempre que sejas defrontado por intrincados problemas na senda que
percorres, busca soluções na informação cristalina do Espiritismo, que te
aclarará o entendimento, traçando diretrizes eficazes para dirimires quaisquer
dificuldades.
Solicitado intempestivamente à dor, dirige-te ao ensinamento espírita, em
cuja vitalidade defrontarás a segurança, a fim de porfiares desassombradamente sob qualquer constrição.
Surpreendido nos ideais pela chuva da incompreensão ou banido do labor
edificante por pedradas contundentes, marcha na direção da fé espírita em cuja
lição dulcificadora receberás o lenitivo do reconfôrto e a estabilidade da
segurança para não desanimares, nem te excederes.
* * *
O homem que reencontrou a fé consoladora, através das lições dos
imortais, vive em regozijo. Examina as atitudes pretéritas e estabelece normativas diretoras com olhos postos no futuro. Quando reconhece os próprios
erros envida esforços para os não repetir e diàriamente faz um exame de
atitudes de modo a melhorar-se sempre e incessantemente, bafejado pelo
consôlo da vida espiritual, fonte geratriz da verdadeira felicidade.
E não obstante as dificuldades do caminhar entre os homens, destaca-se
na comunidade pelas preciosas lições de renúncia a que se impõe e pelos
salutares exercícios de abnegação a que se entrega, fazendo-se irmão de
todos, sem a expressão malsinante do reproche enquanto ajuda, nem a falsa
austeridade da censura enquanto serve.
Ninguém se pode atribuir a posição de ser inatacável, não lhe sendo
facultado o direito de acusador impertinente ou contumaz ante a fragilidade do
próximo a quem lhe compete ajudar e edificar, oferecendo a luz nova do
Espiritismo revelador. Doa o esfôrço não como quem ajuda, mas em condição
de quem se ajuda a si mesmo, pois que tôda edificação imortalista que o
homem consegue, aplica-a na realização da própria paz, para a qual necessà-
riamente utiliza o material de sacrifício que o enobrece e liberta.
* * *
O regozijo de quem encontrou Jesus decorre da certeza inapelável de que
a ilusão já lhe não é mais comensal e a realidade áspera não o atordoa, apresentando a contínua madrugada da esperança, conquanto a demorada noite
dos resgates demorando-se em sombras.
—“Regozijai-vos!” — disse Jesus.
—“Regozijai-te, companheiro da ação enobrecida, na continuidade da luta
em que forjas a tua liberdade intransferível e não te detenhas a arrolar as
imperfeições alheias, nem as tuas próprias limitações.
Evita considerar-te desventurado porque o rio das tuas necessidades não
trouxe a embarcação das surprêsas diante da qual poderias apresentar tesouros transitórios que a ficção aplaude e a realidade devora.
És filho de Deus, e nenhum título é maior do que este: o da filiação divina que te irmana a Ele, a Fonte Excelsa de onde procedes, o colo generoso no
qual te encontras, o ar sublime de que te nutres!
E se alguém te humilha graças ao teu desvalor e se os óbices te obstruem o
caminho por tua inépcia, ou se a tua pequeneZ não te permite agigantar-te
quanto gostarias, regozija-te ainda mais uma vez, porque já encontraste o
meio-dia da vida em plena meia-noite das tuas aflições.
Os que viram aquêle magote constituído por uma farândola de sofredores,
gargalharam, zombeteiros, pôr estarem êles colocando na Terra os alicerces
do Reino de Deus. Os que acompanharam a marcha dos pescadores simples
que abandonaram as rêdes por escutarem aquela voz, chasquinaram e os
perseguiram até ao cansaço, nunca porém lobrigaram extingui-los. E, todavia,
foram êles os heróis da Era Melhor, continuando a ser os modelos que deves
seguir em regozijo, como em regozijo o fizeram, seguindo as pegadas do
Modêlo Divino, que se deixou crucificar em testemunho de amor por um mundo
melhor.
*
“Mas não vos regozijeis em que os EspíritOS se vos submetem,
antes regozijai-VOS em que os vossos nomes estão escritos no
céu”.
Lucas: capítulo 10º, versículo 20.
*
“Naqueles outros (mundos venturosos) não há necessidade desses
contrastes. A eterna luz, a eterna beleza e a eterna serenidade da alma
proporcionam uma alegria eterna, livre de ser perturbada pelas angústias
da vida material, nem pelo contacto dos maus, que lá não têm acesso”.
Capítulo 3º — Item 11.

Florações Evangélicas/J.De Angellis/DPF