domingo, 19 de agosto de 2012

LEI INEXORÁVEL

Um mundo completamente formado pode desaparecer, e a
matéria que o compõe espalhar-se de novo pelo espaço?
- Sim, Deus renova mundos, como renova os seres vivos.
(“O livro dos Espíritos”, questão nº41).


Todos os seres e todas as coisas se submetem à inexorável lei do
progresso; nada existe em estado definitivo, a não ser Deus...
Assim como o Espírito incessantemente se transforma por dentro,
a matéria se transforma por fora. Há um reaproveitamento Divino
extraordinário de tudo o que aparentemente se degenera.
Os elementos que constituem os corpos materiais também se
aperfeiçoam, no anseio de espiritualização de todas as coisas.
Em constante expansão, o universo que os olhos físicos percebem
não é o estado definitivo da vida em sua gloriosa manifestação –
Mundos e sóis se interpenetram, galáxias e nebulosas se combinam
umas às outras... As próprias dimensões espirituais que nós os
desencarnados, povoamos, ascendem vertiginosamente, atraídos
pelo fulcro eterno da criação – Deus! – Em tudo se sintetiza e se
consubstancia.
Segundo cálculos aproximados, os cientistas estimam a morte
térmica do orbe terrestre para daqui a um milhão de anos...
Quantos milhões, no entanto, não foram gastos pela natureza para
que a Terra oferecesse suas atuais condições de vida aos seres que a
habitam?
As chamadas maravilhas do mundo, como as pirâmides do Egito
e a muralha da China, não escaparão à ação renovadora do tempo,
pois tudo tende a ceder lugar a uma forma mais aprimorada de si
mesmo!
É natural, assim, que nada sobreviva infinitamente... Dentro
deste contexto natural, encaremos a morte como indispensável
processo de renovação, pois vida eterna para o espírito no corpo
significaria estacionar nas sendas em que lhe compete avançar.
A cada existir – em determinado momento histórico de sua
marcha evolutiva, através da abençoada fieira das vidas sucessivas
- o espírito se depura de suas excrescências, assim como a criança
recém nascida antes de se aconchegar no seio da mãe, é higienizada
dos resíduos placentários.
O apego excessivo ao que é temporário encarcera o espírito e o
impede de alçar vôos maiores no campo do entendimento,
porquanto o induz a confundir-se com aquilo que ele não é, ou seja,
um amontoado de células que, aos milhares, morrem a cada fração
de segundo.
O espírito pleno de si não reclama a posse de nada que lhe seja
exterior. Aspira, fundamentalmente, ao domínio das próprias
emoções; sente-se tão integrado com a criação, que guarda perfeita
consciência de que, por herança Divina, lhe pertence.
Jesus, que não possuía uma pedra onde descansar a cabeça,
ordenava às águas e aos ventos que dóceis, lhe obedeciam;
impunha-se às falanges dos espíritos obsessores, multiplicava pães e
peixes, transformava a água em vinho, limpava leprosos, devolvia a
visão aos cegos, ressuscitava os mortos...
O grande segredo de possuir é justamente o de não ter! A forma
material da vida, em suas mais sublimadas manifestações, deixa de
existir no exato instante em que alcança o seu apogeu; alias após ter
conquistado o ápice, o declínio é inevitável no campo dos interesses
movediços...
Apenas a consciência é a cidadela inexpugnável do espírito – O seu
domicilio eterno, inacessível a mudanças.