sexta-feira, 17 de agosto de 2012

“Mesmo sem esperar pela retribuição, vale a pena amar”

O conhecido médium e orador fala sobre os caminhos que nos levam à saúde plena, física e mental


Médium brasileiro conhecido mundialmente, Divaldo Pereira Franco (foto) psicografou mais de 250 livros, dos quais 92 foram traduzidos para 16 idiomas. Realizou mais de 13.000 conferências em 64 países em todos os continentes. É organizador de um extenso projeto social em um subúrbio de Salvador, Bahia. Recebeu o título  de  "Embaixador
da Paz Mundial” em Genebra e mais de 600 outras homenagens em diversos países.
Divaldo esteve em Praga no dia 8 de junho 2012 participando do III Seminário Espiritualidade e Saúde, no qual proferiu uma conferência sobre a saúde como resultado da força da vontade e da reforma interior.
Na oportunidade, ele concedeu-nos a seguinte entrevista (1):
Há 22 anos o senhor profere frequentemente palestras na República Tcheca. Por que esta atenção especial com nosso país? 
Nós, espíritas, acreditamos que Allan Kardec, o eminente pedagogo nascido em Lyon, na França, no dia 3 de outubro de 1804, que codificou o Espiritismo, foi, em reencarnação anterior, o inesquecível Jan Huss, queimado vivo pela intolerância religiosa em Constança, no dia 6 de julho de 1415. Em consequência, temos muito carinho pela República Tcheca e, não só por isso, mas também por ser um país de nobres pensadores, artistas, cientistas e pessoas laboriosas, estoicas...
Recordamos que no passado, antes da Segunda Guerra Mundial, havia um grande movimento espírita no país, quando foram publicados periódicos durante muito tempo, abordando o Espiritismo como ciência, filosofia e religião. Ademais, o amigo Josef Jackulak, que nos hospeda e nos recebe em Viena, é cidadão tcheco, e me conduz sempre à pátria que lhe é muito querida, o que me constitui grande motivo de júbilos. 
Nos tempos atuais, terapias alternativas para a saúde se multiplicam e se diversificam. Como o senhor explica este desenvolvimento? 
A evolução do conhecimento científico sobre o ser humano, especialmente nas áreas das ciências psicológicas e médicas, constatou que todos somos energia condensada, naquilo que denominamos como corpo somático, e que a maioria dos conflitos e enfermidades são decorrência da desarmonia entre mente e emoção, além da hereditariedade que exerce um papel muito significativo na construção da saúde.
Oportunamente, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu que não existem doenças, mas doentes, isto é, pessoas predispostas às doenças.
Como espíritas, acreditando na reencarnação, sabemos que somos herdeiros dos hábitos passados e das construções mentais e morais do passado, que se transformam em saúde ou enfermidade na nova experiência carnal. Desse modo, as modernas terapêuticas alcançam o ser interior, não ficando somente nos efeitos dos distúrbios, porém, indo até às causas. Isto tem contribuído para auxiliar o indivíduo a alcançar um estado de saúde integral e, não somente, proporcionando a cura de uma ou de outra enfermidade mas deixando campo aberto a novas doenças. 
Quais os caminhos para encontrarmos a saúde plena, física e mental? 
Inicialmente, recordamo-nos do ensinamento latino: mens sana in corpore sano (mente sã em corpo são). Isto significa que o equilíbrio emocional perante a vida é decorrência das heranças psíquicas de outras existências e que, para a conquista da saúde plena, torna-se indispensável a harmonia entre o pensar, o sentir e o agir.
Carl Gustave Jung, o psiquiatra e neurologista suíço, demonstrou que somos aquilo que pensamos, que cultivamos, como aliás, a quase totalidade dos psicoterapeutas,  psicólogos e psiquiatras. O hábito, portanto, de cultivar os pensamentos edificantes, o respeito por si mesmo, a meditação, as leituras saudáveis, a prática do bem, do perdão e da compaixão, em forma de caridade e de amor, mesmo que sem a conotação religiosa, constituem excelentes caminhos para a aquisição da saúde integral. 
Como desenvolver nossa força de vontade na luta contra nossos males? 
A melhor maneira de desenvolver nossa força de vontade para a luta contra os males que nos afligem é perseverar nos bons propósitos, e, mesmo repetindo o erro, recomeçar tantas vezes quantas se façam necessárias. O exercício da paciência na conquista e edificação interior produz a energia que nos dá resistência para os enfrentamentos internos com os males que nos ameaçam. 
Como o exercício da mediunidade pode contribuir para o bem comum? 
O ato de exercer a mediunidade abre espaço para a comprovação da imortalidade do Espírito à disjunção cadavérica, o que se torna uma valiosa contribuição para os conflitos que aturdem os seres humanos, libertando-os do medo da morte, do sofrimento, da amargura. Isto porque os fenômenos mediúnicos oferecem as paisagens do bem-estar, da saúde e da alegria de viver, em razão do grande júbilo interior que caracteriza os médiuns em auxiliar o próximo, aplicando, inclusive, a bioenergia que tem efeitos curativos.
O senhor realiza curas? 
Não realizo curas, infelizmente, mas proporciono os esclarecimentos próprios para a libertação dos sofrimentos que transtornam os indivíduos.  
Como é o convívio cotidiano, vendo, ouvindo e sentindo a presença dos Espíritos? 
A princípio, quando surge a mediunidade, é algo perturbador, pelo inusitado da ocorrência. Posteriormente, à medida que há a educação das faculdades mediúnicas, o sensitivo passa a controlar as ocorrências, conseguindo o equilíbrio para uma vida saudável e perfeitamente compatível com os níveis do que denominamos como normalidade emocional, mental e de conduta.  
Como é promovida a saúde das crianças e jovens que se beneficiam de seu projeto social “Mansão do Caminho”? 
Utilizamo-nos de todos os recursos e contributos da ciência médica, tomando os cuidados próprios na alimentação, higiene e hábitos saudáveis, acompanhados pelos exercícios mentais da meditação, da oração, das leituras edificantes e dos diálogos pedagógicos para uma existência feliz.  
Qual mensagem o senhor teria para nossos leitores? 
A minha mensagem é feita de paz, rica de amor e de ternura. O ser humano sofre porque não se permite o autoamor, e, não se amando, aos demais não ama, o que gera inumeráveis conflitos que o infelicitam.
Mesmo sem esperar pela retribuição, vale a pena amar. O amor já não é mais uma proposta da libido ou da teologia, mas um processo psicoterapêutico que favorece a harmonia interior no ser humano, proporcionando-lhe bem-estar e paz, com efeitos positivos na saúde.
Desse modo, não nos devemos preocupar quando temos inimigos, mas ficarmos vigilantes, a fim de não nos tornarmos inimigos de ninguém, porque todo aquele que guarda ódio, ressentimento e desejo de vingança, conduz lixo mental e esse envenena os neurônios, tornando inditoso aquele que lhe sofre a injunção.
 
(1) Esta entrevista foi elaborada, em conjunto, pelos Grupos de Estudos Allan Kardec de Praga e de Viena e traduzida para o idioma tcheco pelo confrade Josef Jackulak, para publicação na revista de saúde alternativa "Medunka", de que Vera Keilová é redatora-chefe. O site da revista é http://www.mojemedunka.cz/default.aspx

AUZIER COSENZA JUNIOR
auziercosenza@hotmail.com
Praga, República Tcheca