quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O ADOLESCENTE E A SUA SEXUALIDADE

A ignorância responde por males incontáveis que afligem a criatura
humana e confundem a sociedade. Igualmente perversa é a informação
equivocada, destituída de fundamentos éticos e carente de estrutura de lógica.
Na adolescência, o despertar da sexualidade é como o romper de um
dique, no qual se encontram represadas forças incomensuráveis, que se
atiram, desordenadas, produzindo danos e prejuízos em relação a tudo quanto
encontram pela frente.
No passado, o tema era tabu, que a ignorância e a hipocrisia preferiam
esconder, numa acomodação na qual a aparência deveria ser preservada,
embora a conduta moral muitas vezes se encontrasse distante do que era
apresentado.
Estabelecera-se, sub-repticiamente, que o imoral era a sociedade tomar
conhecimento do fato servil e não o praticálo às ocultas.
À medida que os conceitos se atualizaram, libertando-se dos
preconceitos perniciosos, ocorreu o desastre da libertinagem, sem que
houvesse mediado um período de amadurecimento emocional entre o proibido
e o liberado, o que era considerado vergonhoso e sujo e o que é biológico e
normal.
Evidentemente, após um largo período de proibição, imposta pela

hegemonia do pensamento religioso arbitrário, ao ser ultrapassado pelo
imperativo do progresso, surgiriam a busca pelo desenfreado gozo a qualquer
preço e a entrega aos apetites sexuais, como se a existência terrena se
resumisse unicamente nos jogos e nas conquistas da sensualidade,
terminando pelo tombo nas excentricidades, nos comportamentos patológicos e

promíscuos do abuso.
A sociedade contemporânea encontra-se em grave momento de conduta
em relação ao sexo, particularmente na adolescência. Superada a ignorância
do passado, contempla, assustada, os desastres morais do presente, sofrendo
terríveis incertezas acerca do futuro.
A orientação sexual sadia é a única alternativa para o equilíbrio na
adolescência, como base de segurança para toda a reencarnação.
A questão, faça-se justiça, tem sido muito debatida, porém as soluções
ainda não se fizeram satisfatórias. A visão materialista da vida, estimulando
uma filosofia hedonista, responde pelos problemas que se constatam, em
razão do conceito reducionista a que se encontra relegada a criatura humana.
Sem dúvida, o sexo faz parte da vida física, entretanto, tem implicações
profundas nos refolhos da alma, já que o ser humano é mais do que o
amontoado de células que lhe constituem o corpo.
Por essa razão, os conflitos se estabelecem tendo-se em vista a sua
realidade espiritual, com anterioridade à forma atual, e complexas experiências
vividas antes, que não foram felizes.
Talvez, em razão de ignorarem ou negarem a origem do ser, como
Espírito imortal que é, inúmeros psicólogos, sexólogos e educadores limitamse,
com honestidade, a preparar a criança de forma que apenas conheça o
corpo, identifique suas funções, entre em contato com a sua realidade física. A
proposta é saudável, inegavelmente; todavia, o corpo reflete os hábitos
ancestrais, que provêm das experiências anteriores, vivenciadas em outras
existências corporais, que imprimiram necessidades, anseios, conflitos ou
harmonias que ora se apresentam com predominância no comportamento.
O conhecimento do corpo, a fim de assumir-lhe os impulsos, propele o
adolescente para a promiscuidade, a perversão, os choques que decorrem das
frustrações, caso não esteja necessariamente orientado para entender o
complexo mecanismo da função sexual, particularmente nas suas expressões
psicológicas.
Inseguranças e medos, muito comuns na adolescência, procedem das
atividades mal vividas nas jornadas anteriores, que imprimiram matrizes
emocionais ou limitações orgânicas, deficiências ou exaltação da libido,
preferências perturbadoras que exigem correta orientação, assim como terapia
especializada.
Aos pais cabe a tarefa educativa inicial. Todavia, mal equipados de
conhecimentos sobre conduta sexual, castram os filhos pelo silêncio
constrangedor a respeito do tema, deixando-os desinformados, a fim de que
aprendam com os colegas pervertidos e viciados, ou os liberam, ainda sem
estrutura psicológica, para que atendam aos impulsos orgânicos, sem qualquer
ética ou lucidez a respeito da ocorrência e das suas conseqüências inevitáveis.
Reunindo-se em grupos para intercâmbio de opiniões e experiências de
curiosidade, os adolescentes ficam a mercê de profissionais do vício, que os
aliciam mediante as imagens da mídia perversa e doentia ou da prostituição,
hoje disfarçada de intercâmbio descompromissado, para atender àqueles
impulsos orgânicos ou de viciação mental, em relacionamentos rápidos quão
insatisfatórios.
Quando se pretende transferir para a Escola a responsabilidade da
educação sexual, corre-se o risco, que deverá ser calculado, de o assunto ser
apresentado com leveza, irresponsabilidade e perturbação do próprio

educador, que vive conflitivamente o desafio, sem que o haja solucionado nele
próprio de maneira correta.
Anedotário chulo, palavreado impróprio, exibição de aberrações,
normalmente são utilizados como temas para as aulas de sexo, a desserviço
da orientação salutar, mais aturdindo os adolescentes tímidos e inseguros e
tornando cínicos aqueles mais audaciosos.
A questão da sexualidade merece tratamento especializado, conforme o
exige a própria vida.
O ser humano não é somente um animal sexual, mas também racional,
que desperta para o comando dos instintos sob o amparo da consciência.
Todos os seus atos merecem consideração, face aos efeitos que os
sucedem.
No que diz respeito ao sexo, este requer o mesmo tratamento e
dignificação que são dispensados aos demais órgãos, com o agravante de ser
o aparelho reprodutor, que possui uma alta e expressiva carga emocional,
desse modo requisitando maior soma de responsabilidade, assim como de
higiene e respeito moral.
O controle mental, a disciplina moral, os hábitos saudáveis no
preenchimento das horas, o trabalho normal, a oração ungida de amor e de
entrega a Deus, constituem metodologia correta para a travessia da
adolescência e o despertar da idade da razão com maturidade e equilíbrio.
O sexo orientado repousa e se estimula na aura do amor, que lhe deve
constituir o guia seguro para eqüacionar todos os problemas que surgem e
preservá-lo dos abusos que alucinam.
Sexo sem amor é agressão brutal na busca do prazer de efêmera duração
e de resultado desastroso, por não satisfazer nem acalmar.
Quanto mais seja usado em mecanismo de desesperação ou fuga, menos
tranqüilidade proporciona.
Tendo-se em vista a permuta de hormônios e o fenômeno biológico
procriativo, o sexo deve receber orientação digna e natural, sem exagero de
qualquer natureza ou limitação absurda, igualmente desastrosa.
A força, não canalizada, deixada em desequilíbrio, danifica e destrói, seja
ela qual for.
A de natureza sexual tem conduzido a história da humanidade, e, porque,
nem sempre foi orientada corretamente, os desastres bélicos que sucederam
as hecatombes morais, sociais, espirituais, têm sido a colheita dos grandes
conquistadores e líderes doentios, reis e ditadores ignóbeis, que dominaram os
povos, arrastando-os em cativeiros hediondos, porque não conseguiram
dominar-se, controlar essa energia em desvario que os alucinava.
Examine-se qualquer déspota, e nele se encontrarão registros de
distúrbios na área do comportamento sexual.
Desse modo, na fase da irrupção da adolescência e dos órgãos
secundários, impõe-se o dever de completar-se a orientação do sexo que deve
ser iniciada na infância, de forma que o jovem se dê conta que o mesmo existe
em função da vida e não esta como instrumento dele.