terça-feira, 21 de agosto de 2012

OS ESPÍRITOS

Os espíritos tem uma forma determinada, limitada e constante?
- Ao vossos olhos, não; aos nossos, sim. Eles são, se o quiserdes, uma flama, um
clarão, uma centelha etéria.
(“O livros dos espíritos”, Questão nº88)

Toda forma é limitação e toda limitação e inferioridade.
Um grande pensador, Pascoal, escreveu que Deus é uma grande
circunferência cujo centro está em toda parte e em parte alguma...
Criatura do criador, o espírito transcende a toda e qualquer
concepção de forma: Ele há de ser tudo ou nada. Portanto, em sua
essência, o espírito não há de ter o que o distinga, como os homens
se distinguem pela condição sexual, raça, cor...
Sem que a tudo transcenda do que é e do que será conhecido, o
espírito nunca chegará a ser.
Os Espíritos superiores dominam a forma; os inferiores são
dominados por ela.
Por assim dizer, o espírito superior é uma luz pulsante irradiando
como o sol se irradia, sem que ninguém possa lhe contemplar a
forma – a condição humana é uma das manifestações mais
imperfeitas do espírito no universo. O vocabulário dos homens é
destituído de palavras, para que, num esforço de definição,
pudéssemos nos referir à condição de vida dos espíritos nas
dimensões extra-físicas. Por vezes, onde presentemente nos situamos
nas regiões pós-morte, nos os sentimos, sem que as nossas próprias
percepções espirituais os localizem no espaço e no tempo.
À medida em que desce, o espírito se humaniza; à medida em
que sobe, o espírito de diviniza...
As concepções humanas do belo e do feio são relativas e atreladas
ao convencionalismo – a verdadeira beleza transcende a
combinação de cores, notas musicais, traços físicos... O que se
aprecia com os olhos se submete aos olhos de quem vê. Os sentidos
físicos do homem não estão aparelhados para a apreciação
espiritual da vida.
Disse um dos iniciados da verdade que o “essencial” e invisível
para os olhos...
Tudo é inteligência e sentimento. Condicionamento físico no
corpo material, ou fora dele, é desafio que o espírito carece de
superar, com o propósito de identificar-se plenamente com Deus –
Aquele que não tem forma, mas que no entanto, se formata em
tudo o que existe, imprimindo-lhe as suas características.
Deus não é pássaro, mas está no pássaro; não é carvalho, mas
está em sua seiva; não é a fonte que se arroja do penhasco, mas está
em suas origens...
É uma pena que a maioria se veja na forma que há de
desaparecer!... É lamentável que, para o homem, o espelho ainda
seja, talvez, o maior referencial de sua própria individualidade.
Quando o espírito alcançar maior independência das injunções
materiais, que o escravizam, voltar-se-á para o cultivo dos valores
internos, desapegando-se dos desejos de cobiça – o móvel de todo o
sofrimento humano.
E, mais, as suas concepções de profano e de sagrado sofrerão
alteração de vulto, consoante as inolvidáveis colocações de
Agostinho, o célebre bispo de Hipona, que afirmava: “Aquele que
ama, tudo é permitido.