domingo, 16 de setembro de 2012

A VIDA SOCIAL DO ADOLESCENTE

No período da adolescência a vida social gira em torno dos fenômenos
de transformação que afetam o comportamento juvenil.
Assim, a preferência do jovem é por outro da mesma faixa etária, os seus
jogos são pertinentes às ocorrências que lhe estão sucedendo no dia-a-dia. Há
uma abrupta mudança de interesses, e portanto, de companhias, que se
tornam imperiosos para a formação e definição da sua personalidade. Não
mais ele se compraz nos encantamentos anteriores, nas coleções infantis que
lhe eram agradáveis, nem tampouco nas aspirações que antes o mantinham
preso ao lar, ao estudo ou aos esportes até então preferidos.
É certo que existem grandes exceções, porém, o normal é a alteração de
conduta social, face à necessidade de afirmação da masculinidade ou
feminilidade, do descobrimento das ocorrências que o afetam e de como
orientar o rumo das aspirações que agora lhe povoam o pensamento.
A sua socialização depende, de alguma forma, de relativa independência
dos pais, de ajustamento à maturação sexual e dos relacionamentos
cooperativos com os novos amigos que atravessam o mesmo estágio.
Para conseguir esse desafio, o jovem tem necessidade de programar e
desenvolver uma forma de filosofia de vida, que o levará à descoberta da
própria identidade. Para esse desenvolvimento ele necessita saber quem é e o
que deve fazer, de modo que se possa empenhar na realização do novo
projeto existencial.
Os pais, por sua vez, não devem impedir esse processo de libertação
parcial, contribuindo mesmo para que o jovem encontre aquilo a que aspira,
porém de forma indireta, através de diálogos tranqüilos e amigos, sem a
superioridade habitual característica da idade, facultando mais ampla visão em
torno do que pode ser melhor para o desenvolvimento do filho, que deve
caminhar independente, libertando-se do cordão umbilical restritivo.
Esse fenômeno é inevitável e qualquer tentativa de restrição resulta em
desastre no relacionamento, o que é bastante inconveniente.
Os pais devem compreender que a sua atitude agora é de
companheirismo, cuja experiência deve ser posta a serviço do educando de
forma gentil e atualizada, porque cada tempo tem as suas próprias exigências,
não sendo compatível com o fenômeno do progresso o paralelismo entre o
passado e o presente, desde que são muito diferentes as imposições
existenciais de cada época.
O desenvolvimento social do jovem é de relevante significado para toda a
sua vida, porqüanto, aqueles que não conseguem o empreendimento derrapam
no uso do álcool, das drogas, na delinqüência, como fuga da sua realidade
conflitiva. Um grande número de adolescentes, no entanto, que têm dificuldade
dessa realização, quando bem direcionados conseguem, embora com esforço,
plenificar-se no grupo social. Todos aqueles que ficaram na retaguarda correm
o risco de percorrer as trilhas do desequilíbrio, do vício, da criminalidade.
Esse desenvolvimento deve ser acompanhado de uma alta dose de
autoconfiança, que começa com a gradual libertação da dependência dos pais,
antes encarregados de todas as atitudes e definições, que agora vão sendo
direcionadas pelo próprio educando, naturalmente sob a vigilância gentil dos
genitores, para que amadureça nas suas aspirações sexuais seguras, na
preferência pelos companheiros mais saudáveis e dignos, na identificação do
eu profundo, do que quer da vida e como irá conseguir. A vocação começa a
aparecer nessa fase, levando o jovem a integrar-se no seu mundo, onde lhe é
possível desenvolver o que aspira, sem o constrangimento de atender a uma
profissão que foi estabelecida pelos genitores sem que ele tenha qualquer
tendência ou afinidade para com a mesma.
A questão da independência do jovem no contexto doméstico, nesse
período, não é simples, porque a família dá segurança e compensação,
trabalhando, no entanto, embora de forma inconsciente, para que ele perca a
oportunidade de definir a personalidade, tornando-se parasita do lar, peso
inevitável na economia da sociedade que dele espera esforço e luta para o
contínuo crescimento.
Nesse sentido, outra dificuldade consiste na seleção dos amigos,
particularmente quando estes se apresentam como modelos pré-fabricados
pela mídia: musculosos, exibicionistas, sem aspirações relevantes, sensuais e
vazios de significado psicológico, de sentido existencial. Outras vezes,
enxameiam aqueles que se impõem pela violência e parecem desfrutar de
privilégios conseguidos mediante a prostituição dos valores éticos pelos
comportamentos alienados. Ou ainda através da cultura underground,
promíscua e venal, que se faz exibida por líderes de massas, totalmente
destituídos de objetivos reais, assumindo posturas e comportamentos exóticos,
que chamam a atenção para esconder a ausência de outros requisitos e que
conspiram contra o desenvolvimento da própria sociedade.
São apresentados pela mídia como espécimes estranhos da fauna
humana, atormentados e agressivos, produzindo resultados satisfatórios,
porque oferecem renda financeira aos promotores dos espetáculos da
insensatez... Tornam-se ridículos e perdem o senso do equilíbrio, caricatos e
irreverentes, em tristes processos psicopatológicos ou vitimados por estranhas
obsessões que os atormentam sem termo...
Os pais sempre desempenharão papel relevante na vida dos filhos,
particularmente no momento da sua socialização. Se forem pessoas sociáveis,
equilibradas, portadoras de bons relacionamentos humanos, vão-se tornar
paradigmas de segurança para os filhos que, igualmente acostumados ao
sentido de harmonia e de felicidade doméstica, elegerão aquelas que lhes
sejam semelhantes e formarão o seu grupo dentro dos mesmos padrões
familiares, ressalvados os interesses da idade.
Todo jovem aprecia ser amado pelos pais e desfruta essa afetividade com
muito maior intensidade do que demonstra, constituindo-lhe segurança, que
passa adiante em forma de relacionamento social agradável. Quando o
convívio no lar é caracterizado pelos atritos e discussões sem sentido, a sua
visão é de que a sociedade padece da mesma hipertrofia de sentimentos,
armando-se de forma a evitar-lhe a interferência nos seus interesses e buscas
de realização pessoal. Em conseqüência, torna-se hostil à socialização, em
virtude das lembranças desagradáveis que conserva do grupo familiar, que
passa, na sua imaginação, como sendo semelhante ao meio social que irá
enfrentar.
O jovem é convidado, por si mesmo, à demanda de transformar-se em um
adulto capaz, que enfrente as situações difíceis com equilíbrio, que inspire
confiança, que seja portador de uma auto-imagem positiva. Mesmo quando se
torna independente dos progenitores, preserva a satisfação de saber-se amado
e acompanhado a distância, tendo a tranqüilidade da certeza que a sua
existência não é destituída de sentido humano nem de valor positivo para a
sociedade.
Se isso não ocorre, ele faz-se competitivo, desagradável, mesquinho e
inseguro, buscando outros equivalentes que passam a agrupar-se em
verdadeiras hordas, porque o fenômeno da socialização continua em
predominância na sua natureza, somente que, agora, de forma negativa.
A socialização do jovem é um processo de longo curso, que se inicia na
infância e deve ser acompanhada com muito interesse e cuidado, a fim de que,
na adolescência,esse desenvolvimento não se faça traumático nem
desequilibrante.