quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A VIOLÊNCIA NO CORPO E NA MENTE DO ADOLESCENTE

A adolescência sempre foi considerada um período difícil no
desenvolvimento do ser humano, com mais desafios do que na infância,
criando embaraços para o próprio jovem como para os seus pais e todos
aqueles que com ele convivem.
Trezentos anos antes de Cristo, Aristóteles escrevera que os
adolescentes são impetuosos, irascíveis e tendem a se deixar levar por seus
impulsos, demonstrando uma certa irritabilidade em relação ao comportamento
juvenil. Por sua vez, Platão desaconselhava o uso de bebidas alcoólicas pelos
jovens antes dos dezoito anos, em razão da rápida excitabilidade dos mesmos,
e propunha: Não se despejar fogo sobre fogo.
Os conceitos sobre a adolescência sempre ganharam aceitação,
particularmente quando de natureza censória, intolerante.
No século 17, em sermão fúnebre, um clérigo afirmava que a juventude

era como um navio novo lançado ao oceano sem um leme, sem lastro, ou
piloto para dirigi-lo, como resultado de uma observação externa, sem
aprofundamento, de modo que se pudesse compreender as significativas
transformações que se operam no ser em formação, compelindo-o para as
atitudes anticonvencionais, período assinalado por mudanças estruturais.
Essas mudanças, que se operam na forma física, repercutem
significativamente na conduta psicológica, propondo diferentes
relacionamentos com os companheiros, experimentando novos modelos
educacionais, vivenciais, enquanto todo ele se encontra em maturação
biológica apressada, sem precedentes na sua história orgânica.
Nesse período, compreensivelmente, surgem os conflitos de identidade,
em tentativas internas de descobrir quem é e o que veio fazer aqui na Terra.
Logo depois surgem-lhe as indagações de como conduzir-se e qual a melhor
maneira de aproveitar o período promissor, sem o comprometimento do futuro.
Esse estado de mudanças pode ser breve, nas sociedades mais simples,
mais primitivas, ou prolongado, nas tecnologicamente mais desenvolvidas,
podendo dar-se de maneira abrupta, ou através de uma gradual transição das
experiências antes vivenciadas para as atuais desafiadoras. Em todas as
culturas, porém, apresenta-se com um caráter geral de identidade: alterações
físicas e funcionais da puberdade, assinalando-lhe o início inevitável.
Os hormônios, que desempenham um fundamental papel na
transformação orgânica e na constituição dos elementos secundários do sexo,
igualmente interferem na conduta psicológica, fazendo ressuscitar problemas
que se encontravam adormecidos no inconsciente profundo, na memória do
Espírito reencarnado. Isto porque, a reencarnação é oportunidade de
refazimento e de adestramento para desafios sempre maiores em relação ao
si, na conquista da imortalidade. Na adolescência, em razão das
transformações variadas, antigos vícios e virtudes ressumam como tendências
e manifestam-se, exigindo orientação e comando, a fim de serem evitados
novos e mais graves cometimentos morais perturbadores.
Localizada na base do cérebro, a hipófise tem importância especial na
proposta do desenvolvimento da puberdade. Os seus hormônios permanecem
inibidos até o momento que sucede um amadurecimento das células do
hipotálamo, que lhe enviam sinais específicos, a fim de que os libere. Tal
fenômeno ocorre em diferentes idades, nunca sendo no mesmo período em
todos os organismos.
Esses hormônios são portadores de uma carga muito forte de estímulos
sobre as demais glândulas endócrinas, particularmente a tireóide, a adrenal, os
testículos e os ovários, que passam a produzir e ativar os seus próprios,
responsáveis pelo crescimento e pelo sexo.
Surgem, então, os andyogênios, os estrogênios e as progestinas, estas
últimas responsáveis pela gravidez. No metabolismo geral, todos eles
interagem de forma que propiciem o desenvolvimento físico e fisiológico
simultâneos.
Nesse período de transformações orgânicas acentuadas, o adolescente,
não poucas vezes, sente-se estranho a si mesmo. As alterações
experimentadas são tão marcantes que ele perde o contacto com a sua própria
realidade, partindo então para o descobrimento de sua identidade de forma
estranha, inquieta, gerando distúrbios que se podem acentuar mais, caso não
encontre orientação adequada e imediata.
Em razão da dificuldade de identificação do si, o jovem tem necessidade
de ajustar-se à imagem do seu corpo, detendo-se nos aspectos físicos, sem
uma percepção correta da realidade, o que o conduz a conclusões
equivocadas, a respeito de ser amado ou não, atraente ou repulsivo, por falta
de uma capacidade real para a avaliação.
Nas meninas, o ciclo menstrual surge de uma forma desafiadora e quase
sempre causa surpresa, reação prejudicial, quando não estão preparadas, por
ignorarem que se trata de um ajustamento fisiológico, ao mesmo tempo
símbolo de maturidade sexual.
A desorientação pode deixar sinais negativos no seu comportamento,
particularmente sensações físicas dolorosas, rejeição e irritabilidade, na área
psicológica, após a menarca.
Outras seqüelas podem ocorrer na pré ou na pós-menstruação, exigindo
terapia própria.
Os rapazes, por sua vez, se não esclarecidos, podem ser surpreendidos
com os fenômenos sexuais espontâneos, como a ereção incontrolada e as
ejaculações desconhecidas.
Nessa fase eles vivem um espaço no qual tudo pode tomar
características de manifestação sexual: odor, som, linguagem, lembrança...
Não sabendo ainda como administrar essas manifestações espontâneas do
organismo, embaraçam-se e descontrolam-se com relativa facilidade.
Certamente, os jovens da atualidade se encontram muito mais informados
do que os outros das gerações passadas, não obstante esses conhecimentos
estejam muito distorcidos na mente juvenil, o que perturba aqueles de
formação tímida ou portadores de qualquer distúrbio ainda não definido.
A questão da maturação sexual nos jovens não tem período demarcado,
podendo ser precoce ou tardia, que resulta em estados de apreensão ou
desequilíbrio, insegurança ou audácia, a depender da personalidade, no caso,
do Espírito reencarnado com o patrimônio dos méritos e dívidas.
O amadurecimento psicológico faz-se, nessa ocasião, com maior rapidez
do que na infância. Há mudanças cognitivas muito fortes, que desempenham
um papel crítico para o jovem cuidar das demandas educacionais, sociais,
vocacionais, políticas, econômicas, sempre cada dia mais complexas.
As alterações nos relacionamentos, entre pais e filhos, propõem
necessidade de maior intercâmbio no lar, a fim de proporcionar um
desenvolvimento psicológico saudável, quanto intelectual, equilibrado.
Uma outra questão muito significativa do momento da adolescência é o
conflito entre o real e o possível, vivenciado pelo jovem em transição. Ao
constatar que o real deixa-lhe muito a desejar, porque se encontra num período
de enriquecimento psíquico, torna-se rebelde e transtorna-se, o que não deixa
de ser uma característica transitória do seu comportamento.
A harmonia que se deve estabelecer entre o físico e o psíquico, libertando
o adolescente da violência existente no seu mundo interior, será conseguida a
esforço de trabalho, de orientação, de vivências morais e espirituais, o que
demanda tempo e amadurecimento, compreensão e ajuda dos adultos, sem
imposições absurdas, geradoras de outras agressões.