terça-feira, 18 de setembro de 2012

CONVITE À DISCIPLINA

“Somos servos inuteis, fizemos o que devíamos fazer.”
(Lucas: capítulo 17º, versículo 10.)


Os néscios não conseguem entendê-la.
Os preguiçosos supõem marginalizá-la.
Os ingratos desconsideram-na.
Os frívolos transferem-na no tempo e na oportunidade.
Os atormentados teimam por evitá-la.
Os vândalos corrompem-na.
Os pervertidos pensam mudar-lhe a estrutura, confundindo o teor em que
se apresenta.
Mas, incorruptível, a disciplina traça linhas diretivas e vigorosas,
trabalhando o diamante bruto do espírito, a fim de expungí-lo de toda jaça e
torná-lo de real lavor.
Enxameiam em todo lugar os homens que a conspurcam, enlouquecidos
pela tirania do “eu” ou amesquinhados sob o peso da irresponsabilidade.
Nos dias modernos, muitas pessoas acreditam que manter disciplina em
relação a si mesmas, como ao próximo e à comunidade, — bases que são da
Humanidade —, é esforço vão, tendo em vista a vitória dos usurpadores, das
facções poderosas que se utilizam da força e da astúcia dos donos dos monopólios,
como da impiedade...
No entanto o mentiroso a si mesmo se engana; o tirano a si próprio se
prejudica; o avaro constrói; o presídio dourado da loucura pessoal; o criminoso
jugula-se à hediondez; o explorador condiciona-se à insaciabilidade.
Ninguém engana, realmente, ninguém.
É da Lei Divina que somente sofre o que o homem deve. Desde que se
apresente em condição de vítima expunge, enquanto o algoz adquire débito
para ulterior aflição.
Face a isso, disciplina-te no exercício dos pequenos labores para fruíres as
alegrias que te conduzirão aos eloqüentes deveres que libertam e acalmam.
Disciplina é impositivo de alevantamento moral fomentador do progresso,
base da paz, de que ninguém pode prescindir.
Se as tuas disciplinas morais por enquanto se apresentam como pesada
canga, persevera e insiste nelas até que te chegue o instante liberativo em que
se transformarão em prazer de plenitude e gozo de harmonia pessoal
decorrente do júbilo de todos pelo que hajas produzido e conseguido.


Convites da Vida/J.De Angellis/Divaldo Franco