quarta-feira, 26 de setembro de 2012

INFLUÊNCIA DA MÍDIA NO PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DO ADOLESCENTE

Em um mundo que, a cada instante, apresenta mudanças significativas, o
processo de identificação do adolescente faz-se mais desafiador, em razão das
diferenças de padrões éticos e comportamentais.
Os modelos convencionais, vigentes, para ele, são passíveis de críticas,
em razão do conformismo que predomina, e aqueles que são apresentados
trazem muitos conflitos embutidos, que perturbam a visão da realidade, não
sendo aceitos de imediato.
Tudo, em torno do jovem, caracteriza-se por meio de formas de
inquietação e insegurança.
No lar, as imposições dos pais, nem sempre equilibrados, direcionados
por caprichos e interesses, muitas vezes, mesquinhos, empurram o jovem,
desestruturado ainda, para o convívio de colegas igualmente imaturos. Em
outras circunstâncias, genitores irresponsáveis transferem os deveres da
educação a funcionários remunerados, ignorando as necessidades reais dos
filhos, e apresentando-se mais como fornecedores de equipamentos e recursos
para a existência, do que pessoas afetuosas e interessadas na sua felicidade,
dão margem a sentimentos de rancor ou de imediatismo contra a sociedade
que eles representam. Ademais, nas famílias conflituosas, por dificuldades
financeiras, sociais e morais ou todas simultaneamente, o adolescente é
obrigado a um amadurecimento precipitado, direcionando o seu interesse
exclusivamente para a sobrevivência de qualquer forma, em considerando a
situação de miséria na qual moureja.
Eis aí um caldo de cultura fértil para a proliferação de desequilíbrios,
expressando-se nos mais variados conflitos, que podem levar à timidez, ao
medo, às fugas terríveis ou à agressividade, ao desrespeito dos padrões éticos
que o jovem não compreende, porque não os vivenciou e deles somente
conhece as expressões grosseiras, decorrentes das interpretações doentias
que lhes são apresentadas.
A soma de aflições que o assalta é grande, aturde-o, trabalhando a sua
mente para os estereótipos convencionais de desgarrados, indiferentes,
rebeldes, dependentes, que encontra em toda parte, e cujo comportamento de
alguma forma lhe parece atraente, porque despreocupado e vingativo contra a
sociedade que aprende a desconsiderar.
Nesse contubérnio de observações atormentadas, a mídia, desde os
primeiros dias da sua infância, vem exercendo sobre ele uma influência
marcante e crescente.
De um lado, no período lúdico, ofereceu-lhe numerosos mitos eletrônicos,
agressivos e cruéis em nome do mal que investe contra o bem, representados
por outros seres de diferentes planetas que pretendem salvar o universo,
utilizando-se, também, da violência e da astúcia, em guerras de extermínio
total. Embora a prevalência do ídolo representativo do bem, as imagens
alucinantes do ódio, da perversidade e das batalhas intérminas plasmam no
inconsciente da criança mensagens de destruição e de rancor, de medo e de
insegurança, de fascínio e interesse por essas personagens míticas que, na
sua imaginação, adquirem existência real.
Outros modelos da formação da personalidade infantil, apresentados pela
mídia, têm como característica a beleza física, que vem sendo utilizada como
recurso de crescimento econômico e profissional, quase sempre sem
escrúpulos morais ou dignidade pessoal. O pódio da fama é normalmente por
eles logrado a expensas da corrupção moral que viceja em determinados
arraiais dos veículos da comunicação de massa. É inevitável que o conceito de
dignidade humana e pessoal, de harmonia íntima e de consciência seja
totalmente desfigurado, empurrando o jovem para o campeonato da
sensualidade e da sexualidade promíscua, em cujo campo pode surgir
oportunidade de triunfo... triunfo da aparência, com tormentos íntimos sem
conta.
A grande importância que é dada pela mídia ao crime, em detrimento dos
pequenos espaços reservados à honradez, ao culto do dever, do equilíbrio,
estimula a mente juvenil à aventura pervertida, erguendo heróis-bandidos, que
se celebrizam com a rapidez de um raio, que ganham somas vultosas e as
atiram fora com a mesma facilidade, excitando a imaginação do adolescente.
Ainda, nesse capítulo, a super-valorização de determinados ídolos dos
esportes, de algumas artes, embora todos sejam dignos de consideração e
respeito, proscrevem o interesse pelos estudos e pela cultura, pelo trabalho
honesto e sua continuidade, deixando a vã perspectiva de que vale a pena
investir toda a existência na busca desses mecanismos de promoção que,
mesmo alcançados tardiamente, compensam toda uma vida terrena. Esse
paradoxo de valores, naturalmente, afeta-lhe o comportamento e a identidade.
É evidente que a mídia também oferece valiosos instrumentos de
formação da personalidade, da conquista de recursos saudáveis, de
oportunidades iluminativas para a mente e engrandecedoras para o coração.
Lamentável, somente, que os espaços reservados ao lado ético e
dignificante do pensamento humano, próprio para a formação da identidade
nobre dos adolescentes, sejam demasiado pequenos e nem sempre em forma
de propostas atraentes, na televisão, por exemplo em horários nobres e
compatíveis, como um eficiente contributo para a aprendizagem superior.
As emoções fortes sempre deixam marcas no ser humano, e a mídia é,
essencialmente, um veículo de emoções, particularmente no seu aspecto
televisivo, consoante se informa que uma imagem vale mais que milhares de
palavras, o que, de certo, é verdade. Por isso mesmo, a sua influência na
formação e na estruturação da personalidade, da identidade do jovem é
relevante nestes dias de comunicação rápida.
As cenas de violência, associadas às de deboche, às de supervalorização
de indivíduos exóticos e condutas reprocháveis, de palavreado chulo e de
aparência vulgar ou agressiva, com aplauso para a idiotia em caricatura de
ingenuidade, despertam, no adolescente, por originais e perversas, um grande
interesse, transformando-se em modelos aplaudidos e aceitos, que logo se
tornam copiados.
É até mesmo desculpável que, na área dos divertimentos, apresentem-se
esses biótipos estranhos e alienados, mas sem que sejam levados à
humilhação, ao ridículo... O desconcertante é que enxameiam por todos os
lados e alguns deles se tornam líderes de auditórios, vendendo incontável
número de cópias das suas gravações e cerrando os espaços que poderiam
ser ocupados por outros valores morais e culturais, que ficam à margem, sem
oportunidade.
Falta originalidade nos modelos de comunicação, que se vêm repetindo
há décadas, assinalados pelos mesmos conteúdos de vulgaridade e
insensatez, mantendo a cultura em baixo nível de desenvolvimento.
Essa influência perniciosa, que a mídia vem exercendo nos adolescentes,
qual ocorre com os adultos e crianças também, estimulando-os para o lado
mais agitado e perturbador da existência humana, pode alterar-se para a
edificação e o equilíbrio, na medida que a criatura desperte para a construção
da sociedade do porvir, cuidando da juventude de todas as épocas, na qual
repousam as esperanças em favor da humanidade mais feliz e mais produtiva.