quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O BEM E O MAL

O que se deve entender por lei natural?
- A lei natural é a lei de Deus; é a única necessária à felicidade do homem; ela
lhe indica o que deve fazer ou não, e ele só se torna infeliz porque dela se
afasta.
(“O livro dos Espíritos” questão nº614)


Ainda corroborando nossas reflexões neste capítulo,
transcreveríamos de o Livro dos Espíritos a questão nº621, quando
Kardec questiona: “Onde está escrito a lei de Deus? Sem excesso de
palavras, responderam-lhe os imortais: Na consciência”.
Em si mesmo, portanto, traz o homem a medida do bem e do mal.
Consultando a voz íntima que lhe fala sem pausa, não há quem
ingenuamente se engane.
O equivoco é uma omissão consciente dos que, fazendo uso do
próprio livre arbítrio, tomam decisões que contrariam a lógica.
Se não há consciência do erro não existe erro.
Mais do que a ação, a lei leva em conta a intenção; a ação pode
ser fruto de um movimento instintivo, mas a intenção é ideada com
antecedência...
Citemos um exemplo simples: na maioria das vezes, quem agride o
faz na invigilância de um minuto, mas quem foi agredido tem a
vida inteira para perdoar e... não perdoa.
Neste sentido qual dos dois – A vítima ou o ofensor – estaria em
maior comprometimento com a lei?
O desajuste do homem é causado pelo seu voluntário afastamento
de Deus.
Advertido pelas conseqüências imediatas de seu desequilíbrio, não
reconsidera atitudes e insiste no erro, como se desejasse inverter a
ordem Divina das coisas. É quando então, se torna indispensável o
constrangimento que a pouco e pouco o induz a capitular através
das vidas sucessivas.
Se o homem antentasse mais para a voz que lhe fala nos recessos
do ser – voz de clareza inconfundível – não haveria, com tanta
freqüência, de pretextar ignorância como justificativa de suas ações;
todavia, olvidando-a propositadamente é como se ele tentasse
ludibriar a si mesmo para errar, sem ter que se submeter-se ás
conseqüências...
No entanto, por mais que procure abafar a voz que lhe permite
distinguir o bem do mal, em suas mais sutis manifestações, no
anseio de fugir do seu encontro pessoal com a Verdade, sempre
chegará o momento em que não será mais possível ao homem
simplesmente tapar os ouvidos: Em conflito consigo, rogará a
bênção do esquecimento e da experiência que enseje libertar-se do
remorso, a duras penas, edificando o que deliberou destruir...
Com vagar, as leis humanas haverão de refletir as leis Divinas em
seu conjunto. A luz do discernimento não se ascende de improviso.
A consciência será o altar onde o homem, acima de qualquer
confissão religiosa, reverenciará o criador, adotando por norma em
seu relacionamento social as sábias palavras do Cristo: “Não façais
aos outros aquilo que não quereis que os outros vos façam”.
Seja, pois, acima de tudo, o bem dos semelhantes, o bem
verdadeiro ao qual possamos aspirar, porquanto sinceramente
interessados na felicidade alheia, não teremos como nos
enganarmos com a felicidade que queremos para nós.