segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ajudar-se

É atribuída a Esopo história de um carroceiro que conduzia pesada carga.

Em dado momento, a carroça atolou em solo instável.
Os cavalos não conseguiam movê-la.
Olhando ao redor, notou a presença de Hércules, o herói grego.
Confiante, pediu-lhe auxílio. Estava diante de um filho dos deuses, o homem mais forte do Mundo!
Para sua surpresa, ouviu uma reprimenda:
– Faça força! Empurre! Estimule os cavalos! Se você não se dispuser a ajudar-se, não espere que eu o faça!
Certamente o prezado leitor conhece outras versões desta história, sempre enfatizando o óbvio:
Diante das dificuldades e problemas, é preciso fazer a nossa parte, se esperamos pela ajuda do Céu.

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Benjamin Franklin, (1706-1790), um dos homens mais lúcidos e empreendedores do século XVIII, deu forma definitiva a essa idéia, no seu Almanaque, em 1736:
Deus ajuda quem se ajuda.
No século seguinte, Allan Kardec (1804-1869), consagraria o mesmo princípio, no capítulo XXV, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, com a máxima sempre lembrada quando somos chamados a enfrentar os desafios humanos:
Ajuda-te que o Céu te ajudará.

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Uma das características lamentáveis do ser humano, fruto de sua imaturidade, é a tendência ao acomodamento.
Inspira uma interpretação equivocada da Lei de Causa e Efeito, que induz à inércia em situações difíceis.
São encaradas como inexorável carma.
Puro engano!
Carma, amigo leitor, é o que não pode ser mudado.
Carma é a deficiência congênita, a esterilidade definitiva, a doença grave, a morte prematura…
Carma é o problema insolúvel, o prejuízo irreparável…
Nessas situações, compete-nos cultivar a resignação e a submissão aos desígnios divinos para que nos conservemos em paz.
É como ter um espinho no pé. Se não pode ser retirado, melhor andar com prudência, evitando agravar o ferimento e exacerbar as dores.
Quanto ao mais, são contingências da jornada terrestre, que haveremos de superar com a ajuda de Deus, se estivermos dispostos a nos ajudar, movimentando-nos para tirar o carro existencial desses “atoleiros”.

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Vivemos hoje o terrível drama do desemprego que aflige multidões.
Carma coletivo?
Obviamente, não!
Trata-se de uma contingência gerada por inúmeros fatores:
Os desacertos dos governos, a recessão econômica, os avanços da tecnologia, a decantada globalização…
Sobretudo, o que faz o desemprego é o egoísmo que concentra riquezas, subtrai oportunidades e faz do Homem “o lobo do Homem”.
Sendo contingência, é superável.
Apelando para o Céu e confiando em Deus, haveremos de encontrar meios de prover à própria subsistência.
Ensina Jesus (Mateus, 7:7-8):
Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á.
Se orarmos de verdade, como Jesus ensinou, coração isento de mágoas, cérebro iluminado pela fé, nossa oração ganhará as alturas.
Logo virá a resposta, ensejando-nos meios para superar o embaraço.
Deus espera apenas que nos movimentemos, cultivando disposição e bom ânimo.
E que, a cada dia, batamos às portas da iniciativa e procuremos nossos caminhos desde os alvores da manhã, porquanto, enfatiza velho aforismo:
Deus ajuda quem cedo madruga.

Livro Luzes no Caminho
Richard Simonetti