quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O VAZIO EXISTENCIAL

Nesse processo de superação do primarismo, quando o Self adquire
discernimento, se não houve um amadurecimento paulatino e cuidadoso,
ocorrem, segundo Viktor Frankl, em seus estudos e aplicações logoterápicos,
dois fenômenos que respondem pelo vazio existencial: a perda de alguns
instintos animais, básicos, que lhe davam segurança, e o desaparecimento das
tradições que se diluem, e antes eram-lhe paradigmas de equilíbrio.
Diante disso, o indivíduo é obrigado a escolher, com discernimento para
eleger, dando surgimento a outro tipo de instinto de sobrevivência para prosseguir
lutando. Sem uma decisão clara, torna-se instrumento dos outros, agindo
conforme as demais pessoas, em atitude conformista, não reagindo aos impositivos
do meio, perdendo-se, sem motivação, ou se deixa conduzir pelos
interesses do grupo, atuando conforme o mesmo, que lhe impõe
comportamentos agressivos, anulando o seu interesse e alterando o seu
campo de ação.
Naturalmente perde o contato com o Self para que sobreviva o ego, e
assimilando o que é bem da época, assume os modismos e se despersonaliza.
Nesse vazio que surge, por falta de motivação real para prosseguir, foge
para o alcoolismo, para as drogas, para o sexo ou tomba em depressão...
Noutras vezes, para ocultar essa lacuna na emoção
— o vazio existencial — refugia-se em comportamentos impróprios, buscando
o poder, a glória efêmera através dos quais chama a atenção, torna-se
brilhante sob os focos de luz da fama, neurotizando-se.
Dá-se conta de que as complexas engrenagens do poder e da glória
continuam permitindo o vazio interior — porque se satura com rapidez das
novidades do exterior — percebe também que as compensações do prazer
sexual são frustrantes quão ligeiras, produzindo um certo estado de amargura
que parece inexplicável.
Mui comumente surgem comentários no grupo social, a respeito de alguém
que tem tudo — dinheiro, família, beleza, inteligência, poder — e, no entanto,
parece não ser feliz.
Sucede que esse tudo não preenche o vazio, faltando o sentido da vida,
seu significado, sua razão de ser.
A tensão de novas buscas e a saturação que decorre do conseguir,
resultam em transtorno neurótico.
Com o tempo disponível e falta de objetivo, a única saída emocional é o
mergulho na depressão. Essa ocorrência é comum nas pessoas atuantes que
param
de agir abruptamente, por enfermidades, por aposentadoria, pelos feriados e
períodos de férias, que lhes abrem as feridas existenciais do vazio.
A psicoterapia unida à logoterapia amenizam a situação, propondo um
sentido natural à existência, objetivos duradouros, que exigem esforço, embora
sejam compreensíveis as recaídas até a fixação dos novos valores.