segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Porta estreita

“Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos
digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.”
J esus (Lucas, 13:24.)


Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma estima na “porta
estreita” a sua oportunidade gloriosa nos círculos carnais.
Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício
que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a dificuldade que enriquece
a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do
entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.
Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de
retificação e aperfeiçoamento.
Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a
procurar as “portas largas” por onde transitam as multidões.
Fugindo à dificuldade, empenhase
pelo menor esforço.
Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal. Longe de servir aos
semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.
E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de evolução, sem algo
realizar de útil, menosprezando os compromissos assumidos.
Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a enfermidade
lhes requisita o corpo às transformações da morte.
“Ah! se fosse possível voltar!...” — pensam todos.
Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no mundo, a fim de
aprenderem a humildade, a paciência e a fé!... com que transporte de júbilo se
devotariam então à felicidade dos outros!...
Mas... é tarde. Rogaram a “porta estreita” e receberamna,
entretanto,
recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas
“portas largas”, volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar,
de novo, e não conseguem.