quinta-feira, 25 de outubro de 2012

RELATIVIDADE DA VIDA FÍSICA

Embora a relatividade do ser físico, da existência terrena, o sentido da vida
permanece inalterado. Se se depositam no corpo, apenas, todas as aspirações,
àmedida que ele envelhece, que se lhe diminuem as resistências e
possibilidades, claro está que perdem o impacto e o objetivo.
Observando-se, porém, a vida como um todo, não somente como a
trajetória fisiológica, tais anseios se realizam a cada instante, arquivando-se no
passado, e servem de base para novas buscas e motivações.
Não sendo o corpo mais que uma vestimenta, a sua duração é irrestrita,
desgastando-se enquanto vibra, consumindo-se à medida que é utilizado.
As conquistas agradáveis e as derivadas do sofrimento tornam-se parte
integrante do seu conteúdo, permanecendo como valores que o enriquecem.
O importante não é o seu tempo de duração, mas a forma como é vivida,
experienciada, arquivada cada etapa.
Quando se encontra acumulado, vibra e tem sentido, porqüanto pode ser
acionado a cada instante, revivido com intensidade quando se queira, repetindo
as emoções antes experimentadas.
Não há porque se temer o envelhecimento, invejar a juventude, lamentar o
tempo. Esse comportamento viceja nos indivíduos imaturos. O vir-a-acontecer
não pode influir mais na conduta, do que o já-acontecido.
Os sofrimentos vivenciados, os sorrisos extemados, os conhecimentos
adquiridos, os recursos utilizados são todos um cabedal que não pode ser
comparado ou permutado pelas interrogações daquilo que ainda não foi
conseguido.
A existência física possibilita a integração do indivíduo com a Natureza,
harmonizando-o e promovendo-o para realizar incursões mais audaciosas,
quais a superação do ego e o crescimento do Self, assim como a tranqüila
movimentação na sua realidade de ser imortal. O seu trânsito no corpo
constitui-lhe uma etapa valiosa para a recomposição de forças, que se perturbaram,
e a aquisição de energias mais sutis que se derivam do eu superior e
devem ser canalizadas no rumo da sua supervivência.
Assim não fosse, a consumpção orgânica encerrar-lhe-ia a realidade,
apagando as conquistas do pensamento e do amor.
Essas expressões da vida não se comburem jamais, desaparecendo na
memória do tempo, extinguindo-se no espaço universal. Permanecem atuantes
e realizadoras, vencendo as barreiras vibratórias do corpo e mantendo-se
organizadas fora dele, porque são a fonte geradora do existir.
A busca do sentido da vida ultrapassa a manif estação da forma e prossegue
em outras dimensões, aformoseando o ser que projeta, sim, a sua realidade
para outros cometimentos existenciais futuros, outros desafios humanos,
superando-se através das conquistas ar mazenadas, direcionando-se para a
integração na harmonia da Consciência Cósmica, livre de retentivas com a
retaguarda, desembaraçado de aflições, porque superadas, e aberto a novas
expressões sempre portadoras da peregrina luz da sabedoria.