segunda-feira, 26 de novembro de 2012

EM PEREGRINAÇÃO

"Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura." - Paulo.
(HEBREUS, 13:14.)

Risível é o instinto de apropriação indébita que assinala a maioria dos homens.
Não será a Terra comparável a grande carro cósmico, onde se encontra o espírito
em viagem educativa?
Se a criatura permanece na abastança material, apenas excursiona em aposentos
mais confortáveis.
Se respira na pobreza, viaja igualmente com vistas ao mesmo destino, apesar da
condição de segunda classe transitória.
Se apresenta notável figuração física, somente enverga efêmera vestidura de
aspecto mais agradável, através de curto tempo, na jornada empreendida.
Se exibe traços menos belos ou caracterizados de evidentes imperfeições, vale-se
de indumentária tão passageira quanto a mais linda roupagem do próximo, na
peregrinação em curso.
Por mais que o impulso de propriedade ateie fogueiras de perturbações e
discórdias, na maquinaria do mundo, a realidade é que homem algum possui no chão do
Planeta domicílio permanente. Todos os patrimônios materiais a que se atira, ávido de
possuir, se desgastam e transformam. Nos bens que incorpora ao seu nome, até o corpo
que julga exclusivamente seu, ocorrem modificações cada dia, impelindo-o a renovar-se e
melhorar-se para a eternidade.
Se não estás cego, pois, para as leis da vida, se já despertaste para o
entendimento superior, examina, a tempo, onde te deixará, provisoriamente, o comboio da
experiência humana, nas súbitas paradas da morte.