sábado, 24 de novembro de 2012

Homens e anjos

Em sua Segunda Epístola universal, o Apóstolo Pedro salienta o quão lamentável é no homem o hábito da blasfêmia.
E diz que os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo, diante de Deus.
Essa diferença que o Apóstolo estabelece entre a conduta humana e a angélica merece reflexão.
Afinal, os homens são anjos em perspectiva.
Encontram-se em fase de crescimento espiritual.
Já viveram longamente ao influxo dos instintos.
Deixaram-se dominar por paixões e, aos poucos, conquistaram a razão.
Hoje, transitam pela faixa racional e lutam por abandonar as paixões doentias.
Com isso, sempre de forma gradual, desenvolvem sentimentos feitos de brandura e generosidade.
Ao fim, rumarão para as faixas da angelitude.
Para tal, uma das características a ser abandonada é o hábito de blasfemar.
Ele faz com que o homem diga coisas ofensivas e indecorosas contra o semelhante.
É triste observar o grande número de pessoas dispostas a proferir sentenças negativas, umas contra as outras.
A leviandade domina-lhes as conversas.
Sobre tudo se permitem falar e palpitar, mesmo sem saber ao certo o que ocorre.
Convertem-se em juízes da conduta alheia, sem questionar as próprias qualificações para exercer esse papel.
Nos mais diversos setores da vida, deixam que a mesquinhez lhes corrompa as atividades.
Seguramente, há honrosas exceções de pessoas que se recusam a participar de conversas maldosas.
Mas a ampla maioria não resiste ao convite da maledicência.
Muitos dos envolvidos nem chegam a notar o quanto o esforço difamatório lhes envenena a vida.
Não percebem que esse hábito os envolve em situações e sentimentos ásperos.
Passam a alimentar antipatias injustas para com os irmãos de atividades profissionais.
Estigmatizam o próximo que não lhes aceita as ideias.
Desenvolvem ojeriza pelos que discordam de seus princípios.
E, como a lei é de compensação e de troca, recebem dos colegas e vizinhos as mesmas vibrações destruidoras.
Essas guerras silenciosas por vezes duram séculos.
Elas produzem antipatias e ressentimentos que passam de uma encarnação para as seguintes.
Trata-se de um hábito nefasto, que absolutamente nada produz de bom.
Ele apenas degenera, endurece, isola e adoece o seu cultivador.
Justamente por isso, o Apóstolo chama a atenção para a conduta dos anjos.
O homem pretensioso e falador está sempre rodeado pela ação benéfica dos Espíritos iluminados e generosos.
Esses, quanto mais revestidos de poder Divino, mais se compadecem das fragilidades humanas.
Estendem aos homens suas mãos acolhedoras e jamais pronunciam juízos condenatórios diante do Senhor.
*   *   *
Toda vez que formos compelidos a analisar os esforços alheios, recordemos a palavra de Pedro.
Não nos esqueçamos de que as entidades angélicas, mananciais vivos de força e poder, estão sempre ao nosso redor.
Elas conhecem todas as nossas fragilidades.
Mas jamais proferem contra nós sentenças acusatórias, diante de Deus.

 Redação do Momento Espírita, com base no cap. 131,
do livro
Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.