sexta-feira, 30 de novembro de 2012

IMAGEM E PROJEÇÃO

O ego, na sua ambição possessiva, esconde o ser quanto pode. Mascara
a realidade como mecanismo teimoso de sobrevivência, desenvolvendo
projeções para o exterior, mesmo que em situação conflitiva.
Ambicionando o que não conseguiu nem se esforça para conquistar,
assume comportamento ambivalente: aquilo que demonstra e a frustração da
não realidade.
Desestruturado da personalidade que não se organizou com segurança, o
ego elabora imagens que assumem aspecto de legitimidade, dando lugar ao
surgimento de personificações parasitárias, prejudiciais.
Insculpidas no inconsciente por impulsos de fuga de situações afugentes,
as mesmas assomam e se instalam, bloqueando a consciência e adquirindo
domínio sobre a razão.
São muito delicados os alicerces da personalidade, que se vão
organizando através do tempo, desde o período perinatal, cuja influência forte
estabelece, por automatismos, programas que se manifestarão na infância,
adolescência e idade adulta, exigindo atenção.
Quando se trata de um ser equilibrado, cujo desenvolvimento se dá com
naturalidade, sem complexidades patológicas, todo o futuro psicológico faz-se
harmônico, saudável, e os enfrentamentos mais consolidam as estruturas que
os constituem. Quando porém, são vítimas dos conflitos ambientais, dos
distúrbios familiares, com destaque para os pais, especialmente para a mãe,
mesmo sem que tenham responsabilidade consciente, os efeitos são
desastrosos.
A insegurança, os temores, os complexos de inferioridade, as compulsões
mascaram o ser, e este, a fim de sobreviver no grupo social que se lhe
apresenta como hostil, passa a atuar de forma semelhante, isto é, em
consonância com o que se lhe impõe, tornando-se pessoa espelho, mas
tormentosa para si mesmo.
Para a integração da imagem no ser, das facetas e personalidades que
assume, nos mecanismos de defesa e de fuga da realidade, torna-se
indispensável uma terapia psicológica cuidadosa e a convivência com um
grupo de ajuda saudável.
Assim mesmo, deve-se considerar que o ser é a soma de muitas
reencarnações, nas quais esteve na condição de personalidades transitórias,
cujos conteúdos foram-lhe incorporados, formando-lhe a individualidade. E
natural, portanto, que essas experiências e vivências mais marcantes
arquivadas no inconsciente profundo emerjam, vez que outra, confundindo a
consciência atual e, às vezes, escapando-lhe ao controle em forma de imagens
projetadas, de personificações que exteriorizam com prevalêncía do ego.
Adicione-se a esse transtorno psicológico a incidência de psiquismos
diversos, ínteragindo por processos hipnóticos, conscientes ou não, sobre a
pessoa portadora de uma estrutura psicológica frágil, e o conflito se torna mais
expressivo.
Neste capítulo, surgem as obsessões espirituais, particularmente
produzidas pelos Espíritos desencarnados, que interferem na conduta humana,
graças àemissão de ondas-pensamento perniciosas, carregadas de altos
teores vibratórios de ódio, ciúme, despeito, vingança, e se verão as mudanças
bruscas na conduta moral, mental e comportamental, dando curso a psicopatologias
variadas e graves.
Esta incidência, que é muito comum, particularmente em razão dos
mecanismos de afinidade entre os seres, constitui enfermidade desafiadora,
por significar
a força opressiva e constritora de um campo psíquico sobre outro que passa a
dominar.
A imagem captada, que se instala sobre a personalidade, aturde-a, e
trava-se uma luta perturbadora entre o agredido e o agressor, que conduz
carga vibratória constituída de energia deletéria, resultado do cultivo de
sentimentos destrutivos.
Seja, porém, qual for a psicogênese do distúrbio em que se transformam
as imagens projetadas pelo indivíduo, faz-se urgente a psicoterapia, a fim de
auxiliálo no auto-encontro, na conquista da sua identidade, que são os
caminhos eficientes para a auto-realização.
O ser real tem que vencer as camadas sucessivas de sombras que o
ocultam, desarticulando as engrenagens passadas das imagens que projeta
em estados mórbidos, enfrentando o meio onde vive após auto-enfrentar-se.
A identificação de metas saudáveis, aquelas que enobrecem, constitui o
passo que deve ser dado para conquistá-las, diluindo, em cada etapa, as
projeções jacentes no inconsciente ou captadas psiquicamente, originadas de
outros campos psíquicos.
Assumir-se, pois, os valores que a cada um tipifica, é conquista do seu
sobre o ego, liberando-se de conflitos.