quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Bagagem

Bias, de Priene (século VI a.C.), um dos sete sábios da antiga Grécia, pontificava por elevados dotes intelectuais. Mais que isso: era íntegro e honesto. Jamais colocou seu talento e sua inteligência a serviço de interesses menos dignos.
Diante de questões litigiosas, que exigiam um mediador sábio e justo, dizia-se:
– É uma causa para o cidadão de Priene!
Sua presença conciliatória serenava os ânimos e garantia o triunfo da verdade e da justiça.
Quando Ciro II, o Grande (585-529 a.C.), ambicioso rei persa, iniciou suas guerras de conquista, estabelecendo um dos maiores impérios da antigüidade, as cidades gregas estavam em seu caminho.
Em breve Priene foi sitiada.
Instalou-se o pânico. Os moradores trataram de fugir. Em atabalhoado esforço, buscavam levar a maior quantidade possível de pertences. A confusão era enorme. Grande agitação, ânimos exaltados, choro, histeria coletiva…
A exceção: Bias. Deixou a cidade tranqüilamente, sem carregar nada.
Os amigos estranharam.
– E os seus bens?
O filósofo sorriu, explicando:
– Trago tudo comigo.
Referia-se aos seus valiosos dotes de cultura, conhecimento e virtude.
Em qualquer lugar, esses patrimônios inalienáveis lhe garantiriam subsistência honesta e digna.
***
Enfrentamos, na experiência humana, crises periódicas que exigem o resgate do passado ou testam as aquisições do presente.
• Moléstia insidiosa.
• Acidente inesperado.
• Perda de um bem.
• Demissão na atividade profissional.
• Fracasso de um empreendimento.
• Ruptura da ligação afetiva.
• Defecção do amigo.
• Morte do ente querido.
Sitiados pela adversidade, somos chamados a deixar as posições em que nos acomodamos, à procura de caminhos novos que se desdobram a nossa frente.
Detalhe importante: A crise é também um teste de avaliação.
Revela nossa posição espiritual. Dependendo de nossas reações, podemos ser reprovados, com o compromisso de repetir estágios ou ganhar honrosa promoção.
Reclamamos da sorte? Tropeçamos na inconformação? Caímos no desânimo? Mergulhamos no desajuste?
Lamentável! Superficial é a nossa crença, frágil o nosso ânimo, precária a nossa estabilidade.
Encaramos a adversidade com bom ânimo? Confiamos em Deus? Cultivamos a serenidade? Estamos dispostos a enfrentar o desafio?
Ótimo! Demonstramos possuir um patrimônio de valiosas aquisições espirituais.
E trazemos “tudo conosco”, a nos sustentar o equilíbrio e a paz, onde estivermos.
Livro "Luzes no Caminho"
Richard Simonetti