sábado, 22 de dezembro de 2012

CONVITE À GRATIDÃO

“Bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos insultam.”
(Lucas: capítulo 6º, versículo 28.)

Por temperamento te retrais em muitas circunstâncias, quando deverias e
poderias exteriorizar os sentimentos que portas.
Supões que todos marcham guindados à alegria, tão jubilosos se
manifestam, que evitas traduzir os tesouros da boa palavra e da gentileza que
se vão enferrujando por desuso nos cofres do teu coração.
Recebes dádivas, fruis oportunidades, recolhes bênçãos, acumulas
favores, arrolas benefícios e somente uma formal expressão já desgastada de
reconhecimento te escapa dos lábios.
Justificas-te no pressuposto de que retribuiste com a necessária
remuneração, nada mais podendo ou devendo fazer.
Não há, porém, moeda que recompense uma noite de assistência
carinhosa à cabeceira do leito de um enfermo.
É sempre pálido o pagamento material, passado o sacrifício de quem se
nos dedicou em forças e carinho.
Mas o gesto de ternura, a palavra cálida, a atenção gentil, o sorriso
expressivo de afeto espontâneo são valores-gratidão que não nos cabe
desconsiderar ou esquecer.
Em muitos profissionais deste ou daquele mister esfria-se a dedicação,
substituida por uma cortesia estudada e sem vida, em conseqüência da ingratidão
constante dos beneficiários das suas mãos e das suas atenções.
Acostumaram-se a ver no cliente de tal ou qual procedência apenas um
outro a mais e se desvincularam afetivamente, por não receberem o calor humano
do sentimento da gratidão.
Gratidão, como amor, é também dever que não apenas aquece quem
recebe, como reconforta quem oferece.
A pétala de rosa espalhando perfume ignora a emoção e a alegria que
propicia.
Doa a tua expressão de reconhecimento junto aos que se tornaram frios e
o teu amor aquece-los-á.
Batendo-se-lhes às portas da afetividade, por gratidão, elas se abrirão para
que a paz que ofereças reine em derredor deles e de ti mesmo, porqüanto a
regra excelsa é bendizer até aqueles que nos maldizem, orando por quantos
nos insultam.