sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

INDIVIDUALISMO

A imaturidade psicológica não oferece sinergia para as lutas com efetivo
espírito de competitividade e de realização.
Porque num estado medíocre de evolução, o homem busca sobressair-se,
engendrando mecanismos de individualismo e utilizando-se de superados métodos
de combate aos outros antes que de autolibertação.
Para destacar-se, em tal conjuntura, usa os outros, através de artifícios do
ego para conseguir os seus objetivos que, não o plenificando, prosseguem
conflitivos, ou recorre à velha conduta do dividir para imperar, acumulando
insucessos reais que são tidos como realizações vantajosas.
A valorização de si mesmo conscientiza o ser quanto à necessidade de
bom trânsito no grupo social e da sua importância no mesmo. Célula valiosa do
conjunto deve encontrar-se harmônico, a fim de gerar um órgão sadio que se
promoverá ampliando o círculo através de novos membros, dessa forma
alcançando toda a sociedade.
A vida expressa-se em um todo, num coletivo equilibrado que, mesmo se
apresentando numa estrutura geral, não anula o indivíduo, nem o impede de
desenvolver-se, agigantar-se. Isso porém, não o leva, necessariamente, ao
individualismo, que é conduta imposta pelo ego conflitivo.
Quando tal ocorre, as carências afetivas se apresentam transmudadas em
ambições que atormentam enquanto parecem satisfazer; o indivíduo dá mostras
de auto-realização que mal disfarça a solidão e a insatisfação íntima que
se lhe encontram pulsantes no íntimo.
É provável que, nesse contexto, o hemisfério esquerdo do seu cérebro —
racional, analítico, matemático, lógico, casuístico — ignore o poder do direito —
intuição, imaginação, transcendência, pensamento holístico, artístico —,
condenando-o a viver sob a injunção de fórmulas, de teorias, de conceitos
preestabelecidos, de julgamentos feitos, de regulamentos rígidos, aparentando
não sentir necessidade do emocional e artístico, do divino e metafísico.
Nesse afã de ser lógico e individualista, impõe-se, sem dar-se conta, os
próprios limites, e, por temor de aventurar-se no grupo social, integrando-se e
explorando possibilidades que poderão resultar no progresso geral, estiola-se
emocionalmente, tornando-se rude, amargo, ingrato para com a vida, embora
projete imagem diferente de si.
Perdendo o contato com a intuição, a simplicidade, o senso comum, isolase,
e passa a ver o mundo e as demais pessoas por meio de uma óptica
distorcida, que lhe tira a claridade do discernimento e lhe faculta a identificação
de conteúdos e contornos, fronteiras e intimidades.
Estabelecendo objetivos que agradam ao ego, mais se lhe aumentam os
conflitos internos, por falta de valor para identificar as próprias falhas e os
medos que não combate.
O individualismo é recurso de fuga das propostas da vida, desvio de rota
psicológica, porque avança holística e socialmente para o todo, para o conjunto
que não se pode desagregar sob pena de não sobreviver.
Todo individualista impõe-se, usando os demais, e converte-se em títere
de si mesmo e dos outros, ou sucumbe nas sombras espetaculares do
transtorno íntimo que foge para a loucura ou o suicídio.
Os objetivos não conflitivos da vida, porém, são conseguidos pelo
indivíduo que os reparte com o seu grupo social, no qual sustenta os ideais,
haurindo aí sinergias para prosseguir lutando e vencendo, de forma saudável e
equilibrada, sem projeções nem imagens irreais.