domingo, 23 de dezembro de 2012

PERDA DO SENSO DE HUMOR

A capacidade para manter o senso de humor nas mais variadas
oportunidades resulta do amadurecimento psicológico, propiciador da aquisição
de valores relevantes para o perfeito equilíbrio existencial.
Poder encarar as situações vexatórias sem revolta nem autocompaixão,
considerando-as fenômenos naturais do processo evolutivo; identificar-se
humano e passível de todas as ocorrências; aceitar com bom humor os
acontecimentos inusitados e permitir-se sorrir de si mesmo, dos equívocos
cometidos e dispondo-se a repará-los, constituem conquistas do auto-amor.
O amor, no seu elenco imenso de expressões, sustenta o senso de humor,
facultando ao indivíduo possibilidades enriquecedoras, dentre as quais a
alegria da vida como quer que esta se apresente, a compreensão das falhas
alheias e próprias, a coragem para repetir as experiências fracassadas, até
alcançar o êxito e, sobretudo, o preenchimento dos espaços íntimos com
realizações edificantes.
A perda do senso de humor, entre outras causas, resulta do estresse e da
amargura, do desgaste das emoções e do vazio existencial, colimando em
condutas pessimistas, caracterizadas pela revolta sistemática, a agressividade
diante de quaisquer incidentes, ou pelo desânimo, pelo desinteresse em torno
das ocorrências. Descaracterizam-se então, os valores perante si mesmo, e as
aspirações cedem lugar à acomodação rebelde, conspirando contra as
estruturas íntimas.
O senso de humor estimula ao prosseguimento dos objetivos, vencendo
dificuldades e obstáculos com o otimismo de quem confia em si, nas próprias
possibilidades e na capacidade de renovar-se para não estacionar. Trata-se de
um parâmetro para aquilatar-se a condição em que se encontra e as
disponibilidades ao alcance para vencer.
A criança, porque ainda não impregnada dos vícios sociais e das lutas
malsucedidas, expressa com naturalidade o seu senso de humor, de confiança
nos adultos e nas coisas que a cercam. O discernimento advindo dos fatores
domésticos e sociais altera-lhe essa faculdade espontânea tomando-a, às
vezes, dissimuladora, interesseira, hábil na forma de conduzir-se para agradar.
É indispensável a aceitação do propósito de agradar-se também, desde
que disso não decorra qualquer tipo de prejuízo para si ou para as demais
pessoas.
O idealista e o esteta, o santo e o artista, o poeta e todo homem de bem
possuem apurado senso de humor que os motiva a insistir e a ambicionar
conseguir a meta que perseguem, alegrando-se no que realizam, e quando
algo não corresponde às aspirações acalentadas ou resulta negativo, ao invés
de perturbar-se, ou lamentar, ou desistir, aprendem com o erro um método que
deve ser alterado, porque não os levou ao ponto estabelecido.
Este senso de humor constitui riqueza íntima que se deve cultivar sob
qualquer circunstância, rejubilando-se com ele e exteriorizando-se onde se
esteja, a fim de melhorar os relacionamentos interpessoais, as realizações e
favorecendo os resultados de todos os empreendimentos.
A vida moderna, com as suas sofisticadas exigências, propicia muitos
conflitos que podem ser evitados mediante a autoconsciência e a vivência do
senso de humor, isto é, a forma natural e positiva para encarar as ocorrências

do cotidiano. Não se trata do humor que decorre do anedotário, da chalaça, da
momice, dos relatos pejorativos e de sentido pífio. Mas, dessa autêntica
jovialidade para compreender-se e compreender aos demais, encarando a
existência com seriedade, mas sem carranca, com alegria, mas sem
vulgaridade, emocionalmente receptivo às lições e complexidades dos processos
da vida.
A perda desse sentido mergulha o indivíduo no fosso da autodestruição,
que arquiteta, conscientemente ou não, como fuga existencial ou capricho
infantil, de quem sente falta da mãe superprotetora, anteriormente encarregada
de solucionar todos os problemas do filho, o que deu surgimento à
insegurança, ao desequilíbrio, não lhe permitindo o desenvolvimento
psicológico.
A aquisição como a preservação do senso de humor tornam-se essenciais
para a vitória do homem sobre os conflitos modernos e o direcionamento para
a conquista da plenitude.