sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PROGRESSO MORAL

O progresso moral segue sempre o progresso material?
- É a sua conseqüência, mas não o segue sempre imediatamente.
(“O livro dos espíritos”, questão nº 780”)





Os espíritos da Codificação colocaram o progresso moral como sendo
a conseqüência do progresso intelectual. Lógico, pois que, numa
primeira etapa, o homem avance mais intelectualmente que
moralmente.
Não se pode condenar as conquistas do intelecto que, sem dúvida,
ao extrapolarem, acabarão por convencer o homem quanto à
necessidade de progredir moralmente, fazendo-o por assim dizer
tornar às origens.
Sem a estrutura moral, a tendência do progresso intelectual é de
colocar em risco o que logrou alcançar, pois inteligência sem coração
termina por posicionar-se contra si, autopunindo-se pela falta de
sensibilidade.
O excessivo avanço tecnológico há de induzir ao homem a uma
auto-avaliação quanto ao caminho percorrido...
A inteligência humana, que paulatinamente, vem tendo acesso
aos 76nigmas das ciências, ainda, por exemplo, não equacionou o
problema a fome na humanidade; de que vale o homem viajar pelo
cosmo, desvendar os mistérios da criação, se no quintal de sua casa,
os desafios sociais são uma constante?...
O homem está perto de reconhecer que os valores morais são tão
imprescindíveis quanto as conquistas do intelecto.
As guerras aí estão, a violência urbana, a corrupção, a degradação
dos costumes, a descrença, a injustiça, a impunidade, os lares
desfeitos, os jovens se rumo, as drogas, o descaso pela vida...
A inteligência sem os alvitres do sentimento se autodestrói! Por
este motivo há dois mil anos, Jesus veio lançar as bases da moral
capaz de nortear as pessoas com segurança para o que está
destinado por Deus.
Sem vivência na fraternidade, o que muda é tão somente o
panorama exterior. O primitivismo humano subsiste nos edifícios da
moderna arquitetura que substituíram as cavernas...
Ao que se depreende pela resposta dos espíritos Superiores a
Kardec, sem que o homem experimente as conseqüências de sua
invigilância e soberba, ou por outra, sem que se despenque da
altura que se elevou, em seu propósito de rivalizar-se com a
inteligência Divina, ele não se convencerá quanto ás necessidades de
cultivar as virtudes que considera ultrapassada – a paciência, a
humildade, a temperança, a caridade, a indulgência, a renúncia...
As virtudes, às quais nos referimos, para quem apenas se preocupa
com o intelecto são sinais de fraqueza de espírito, de alienação, de
fanatismo... Olvide-se, por exemplo, o homem que carece de um
espaço muito maior para dominar-se do que para dominar; fácil a
superação de obstáculos externos; extremamente penosa a
superação das dificuldades íntimas.
“A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram se
não com o tempo”, ainda disseram os espíritos ao codificador.
Referindo-se aos discípulos na condição de sal da Terra, o mestre
destacou a importância da tarefa daqueles que pugnam pelo
progresso moral da humanidade, esforçando-se eles mesmos para
darem exemplo de renovação.
Sem religião no encalço da ciência, o homem se perderia de vez na
vastidão do próprio orgulho, e, sem a ciência a opor-se ao
fanatismo oriundo da religião as trevas da Inteligência eternizariam
para a humanidade.