quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A RESPONSABILIDADE DO MAL

Se uma fortuna foi mal adquirida, os seus herdeiros serão
responsáveis?
- Sem dúvida, eles não são responsáveis pelo mal que outros tenham feito e
serão tanto menos quanto o possam ignorar; mas fica sabendo que muitas
vezes uma fortuna não cabe a um homem senão para lhes dar a ocasião de
reparar uma injustiça. Feliz será ele se o compreender! E, se o fizer em nome
daquele que cometeu a injustiça, a reparação será levada a conta de ambos,
porque quase sempre é este último que o provoca.
(“O Livro dos Espíritos”, questão nº809)



Não há evidentemente, quem responda pelo mal que não tenha
feito, todavia, de igual modo, não há quem totalmente se isente de
responsabilidade no mal que ainda vige entre os homens na Terra.
Somos o que fazemos de nós, tanto quanto são os outros o que os
compelimos a ser... Influenciamos e somos constantemente
influenciados em nossas ações.
Muitos espíritos, em herdando grandes riquezas renascem para
repararem, na solidariedade, o egoísmo que eles mesmos
fomentaram em seus antepassados. Têm nas mãos o resultado de
sua ambição do pretérito, com o propósito de darem início a um
processo de reajuste espiritual, envolvendo aqueles que foram
prejudicados pela sua invigilância e insensatez, estejam ainda no
corpo ou fora dele.
A questão, porém, é que, em contato direto com a tentação dos
bens materiais, o espírito costuma reincidir nas mesmas faltas,
aumentando o drama de consciência daqueles que, do Mundo
Espiritual, acompanham, quase sempre, sem nada poderem fazer, o
fracasso moral de seus herdeiros...
A fortuna mal-adquirida pode gerar conseqüências desastrosas
para determinado grupo de espíritos, por muitas gerações,
induzindo-os a constantes quedas. Por este motivo, certas famílias
abastadas recebem em seu meio espíritos que terminarão por leválas
à dissolução, como se estes ansiassem por espalharem o que
acumularam indevidamente – a fortuna que, por séculos, enredam
os incautas em suas poderosas teias, obstaculizando-lhes o
progresso.
Constitui-se para os desencarnados, em terrível prova a situação
em que observam os que discutem sobre os seus espólios no mundo,
sentindo-se extremamente frustrados, na tentativa de induzi-los
agora ao desprendimento... Aflitos, na condição de espíritos livres,
temem o regresso ao corpo nas mesmas circunstâncias. Por maior a
tentação do prazer que o dinheiro fácil lhes enseja, sabem que
estarão expostos aos mesmos equívocos e, não raro, em alguns casos,
agravando-se-lhes ainda mais a situação.
Enganam-se, pois, quantos imaginam no mundo que, para o
espírito, a reencarnação numa família abastada, do ponto de vista
espiritual seja um privilégio – ante a perspectiva da queda
eminente, é uma punição. Por este motivo, conforme dissemos, os
espíritos esbanjadores, que fazem ruir grandes impérios econômicos,
funcionam como libertadores. Evidentemente, responderão pela sua
incúria de sentimentos, mas não há negar a importância da tarefa
que cumprem às avessas.
Segundo os espíritos superiores, remontando ás suas origens, quase
toda fortuna foi mal-adquirida, portanto não há quem acumule
sem privar os outros da parte que lhes cabe... Desta maneira, a
riqueza é sempre uma oportunidade para os que dela usufruem, de
reparação do mal que fizeram ou possibilitaram que fosse feito.
Em tudo, aprendamos a ver a infinita Sabedoria de Criador, que
corrige a criatura através de suas próprias ações, permitindo-lhe
que o mal, seu instrumento de queda, em determinado momento, se
lhe transforme em motivação para o bem em sua definitiva
ascensão para Deus!


Se Teus Olhos Forem Bons/Carlos Bacelli