quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

CONVICÇÃO IMPOSTA

Desde que o Espiritismo deve marcar um progresso na
humanidade, porque os espíritos não apressam esse progresso
através de manifestações tão gerais e patentes que pudessem
levar a convicção aos mais incrédulos?


 - Desejaríeis milagres, mas Deus os semeia a mancheias nos vossos passos, e
tendes ainda os homens que o negam. O Cristo, ele próprio convenceu os seus
contemporâneos com os prodígios que realizou? Não vedes ainda hoje os
homens negarem os fatos mais patentes que se passam a seus olhos? Não tendes
os que não acreditam mesmo quando vissem? Não, não é por meio de prodígios
que Deus conduzirá os homens; na sua bondade, ele quer deixar-lhes o mérito
de se convencerem através da razão.
(“O Livro dos Espíritos”, questão nº802)


 Nem os espíritos através de suas manifestações, podem impor a
convicção a quem quer que seja. Contam-se aos milhares os que
tendo presenciado fenômenos mediúnicos, os interpretam como
alucinações ou com fatos outros que nada tem a ver com a
imortalidade da Alma... O próprio Tomé, num dos exemplos mais
clássicos da história, quis tocar as chagas do Cristo para acreditá-lo
redivivo diante de seus olhos. Muitos medianeiros que, a vida toda,
lidando diretamente com o fenômeno, no ocaso da existência física,
perturbando-se, negaram a autenticidade do mesmo – tal,
infelizmente, o que aconteceu com as irmãs Fox; precursoras do
Espiritismo em Hydesville, nos Estados Unidos, nas manifestações
que culminaram com o aparecimento da terceira revelação.
Por outro lado, carecemos considerar que nem todos os espíritos
estão aptos para contatarem os homens com proveito; os
desencarnados em maioria, também são movidos por interesse de
ordem pessoal – preconceitos de toda a espécie igualmente
sobrevivem à morte do corpo...
Os espíritos Superiores que poderiam, digamos, “apressar o
progresso” da humanidade através das manifestações retumbantes,
não o fazem, porquanto, além de compreenderem a nulidade de
semelhante iniciativa (seria “atirarem pérolas aos porcos”), não
contam com a receptividade dos médiuns, cuja organização
psíquica, providencialmente, não está preparada para tanto.
A luz da revelação deve-se fazer gradativamente. De nada
adianta lançar a boa semente em terra estéril. Antes do momento
aprazado, toda idéia não vinga.
É necessário que se entenda que os espíritos que contataram os
homens não lhes dispensam o concurso, ou seja, não logram suprir as
deficiências e os limites do instrumento à sua disposição... Para que
os desencarnados na produção de fenômenos mais convincentes
pudessem ser menos tímidos, careceriam de contar com maior
ousadia por parte dos médiuns. Os médiuns regulam as
manifestações dos espíritos que, por mais façam, não conseguem
extrapolar. Esta é uma das leis da mediunidade.
A fé é conquista individual, fruto do amadurecimento, da
reflexão, da análise...
Escrevendo aos Coríntios afirmou Paulo em sua primeira carta, no
capítulo XIV Vers.22 “... A profecia (mediunidade, ou o dom dos
carismas), não é para os incrédulos, e, sim, para os que crêem”.
Nunca escassearão argumentos para os negadores sistemáticos da
verdade imortalista.
Também em nos referindo à fenomenologia mediúnica, não se
constrói uma casa sobre a areia... Quando os homens se mostrarem
em melhores condições morais, o Mundo Espiritual superior se lhes
evidenciará de modo mais ostensivo; por agora, são mais patentes e
inócuas, do ponto de vista da revelação, as manifestações de
espíritos de mediana evolução que pouco ou quase nada podem
acrescentar ao que se tem e ao que se sabe.