domingo, 17 de fevereiro de 2013

DESCANSO ETERNO

Há posição no mundo em que o homem possa gabar-se de gozar
uma liberdade absoluta?
- Não, porque vós todos necessitais uns dos outros, os pequemos como os
grandes.
(“O Livro dos Espíritos” questão nº825)

Não há em parte alguma do Universo, quem não tenha deveres a
cumprir para com os seus semelhantes; não há quem possa se sentir
descomprometido com a evolução: Quanto maior a independência
que experimentem, maior o senso de responsabilidade que possui!...
Os espíritos se preparam para trabalhos mais árduos e não para
que se distanciem da luta a que todas as coisas se submetem;
quanto mais ascendem na hierarquia espiritual, mais sentem a
necessidade de descer para viabilizarem o progresso dos que
hesitam em avançar...
Ninguém se habilita em algo, apenas com o propósito de se
satisfazer. Isso seria a consagração do egoísmo. O dinamismo Divino
nos leva a concluir que o trabalho, cada vez mais pleno, é a força
motriz da vida – a morte seria, pois, a ausência de atividade.
Não existe o chamado descanso eterno; tudo desaparece para
reaparecer em seguida...
Na aparente morte, surpreendemos incessante atividade. De modo
imperceptível, todas as coisas e todos os seres trabalham e são
trabalhados em busca da perfeição.
O trabalho material, por assim dizer, ainda é uma ocupação
demasiado primitiva – Indispensável no estágio em que o homem
presentemente se encontra. Á medida que evolve, o trabalho do
homem é mais intelectual; não trabalha com as mãos, como o oleiro
a dar forma ao barro, mas, sim, com o poder da mente – a força
plasmadora do Universo!
Os que hoje se isolam dos seus semelhantes, isentando-se de
qualquer compromisso social, amanhã será os seus grandes
defensores, aqueles que haverão de se imolar pelo triunfo das
causas que beneficiem a humanidade como um todo.
Os considerados pequenos ensejam aos grandes a oportunidade de
serem maiores – na verdade, sem aqueles que nos estendem as
mãos, não nos exercitaríamos na necessidade de sermos bons; os
outros são o nosso material de aprendizado...
Sem que o verme fertilize a terra, sem que os vegetais realizem a
fotossíntese, sem que a evaporação possibilite a chuva, sem que o
vento espalhe as sementes, sem que as raízes das árvores combatam
a erosão, sem que os animais se reproduzam, sem que os raios do sol
aqueçam o planeta, enfim, sem que cada elemento da natureza
cumpra com a sua função, indispensável ao equilíbrio, a vida
humana se fragiliza...
Não há ninguém que se possa considerar dispensável ou de menos
importância dentro do contexto da criação – o espírito redimido já
peregrinou pelos caminhos em que tantos presentemente se
equivocam; os mundos colossais, em suas origens, não passavam de
poeira cósmica; os oceanos se formaram pela reunião de diminutas
gotas d’água...
Quem se sente descomprometido com a Vida não se sente
integrado com Deus, porquanto Deus permanece operando na
intimidade de toda a Criação.
O simples ato de respirar é participar, é influenciar, é dar e
receber...
Infelizmente, quantos são os que apenas se colocam na posição de
receber – e querem sempre ter mais – sem cogitarem de que a vida,
em toda parte, lhe espera a doação consciente e espontânea
susceptível de engrandecê-la e sublimá-la indefinidamente.


Teus Olhos/Carlos Bacelli