terça-feira, 26 de março de 2013

Crença na Imortalidade

Quando a crença na imortalidade do Espírito é legítima, ocorre uma profunda mudança no indivíduo, que se ilumina pelo conhecimento libertador.
Tudo quanto antes se afigurava de maneira imediatista ou se fazia portador de um significado psicológico mais superficial altera os seus conteúdos para se agigantar em sentido existencial profundo, que tem a ver com a perenidade do ser e todos os efeitos do seu comportamento.
Reconhecendo-se que toda ação dá lugar a uma reação correspondente, a certeza da sobrevivência à morte biológica induz a uma visão de profundidade em torno da caminhada evolutiva, identificando-se nas heranças ancestrais os diversos períodos do processo, que deixaram as marcas poderosas da sua experiência.
Quando a cultura pessoal mantinha as convicções materialistas ou a indiferença em torno da vida-depois-da-vida, as metas buscadas estavam sempre próximas e, após alcançá-las, advinha o tédio, a perda de sentido, porque não mais havia estímulos para continuar na faina a que se adaptara.
É comum, nesses casos, muitas das ambições serem conseguidas e logo depois de fruídas desaparecem, deixando o vazio existencial em lugar da ansiedade e do afã que se constituem motivações para as lutas.
Não raro, as pessoas que atingem o topo de suas necessidades  ou especulações perdem os impulsos de continuação do esforço, por já não haver razão lógica para a aplicação de tanto empenho.
Como ninguém  vive em segurança emocional sem um objetivo, especialmente relevante, tombam-se ao buscarem os prazeres exaustivos, invariavelmente derrapando-se no uso de drogas químicas responsáveis por alucinações e desvarios, buscam-se as exigências do sexo desvairado, empanturram-se de alimentos de difícil digestão, entregam-se ao alcoolismo, ao tabagismo, e o pensamento em desalinho ensombrece-se, facultando a instalação de enfermidades perturbadoras...
O ser humano é construído para a ação contínua e o seu pensamento deve sempre estar ativo, cultivando ideias dignificantes, construtivas, que o envolvam em ondas de harmonia e de saúde.
Os devaneios e fugas psicológicas são responsáveis pelas aberturas vibratórias que proporcionam a sintonia com os Espíritos inferiores, esses que se comprazem em gerar desarmonias interiores, transformando-se em obsessões de longo curso.
Constata-se, então, que grande parte da mole humana transita entre anseios absurdos e tédios injustificáveis, contribuindo para a insatisfação que toma conta da sociedade hodierna, dando lugar aos desaires coletivos e de amplas proporções obsessivas.
As metas materiais mui facilmente podem se alcançadas, mas depois de conseguidas perdem o impacto do interesse mantido, produzindo desencanto... É nesse momento que chegam a maturidade física, a velhice e as reflexões que se pedem em amarguras, lamentando-se o tempo que foi aplicado para amealhar valores que não preenchem os vazios do sentimento, nem se encarregam de produzir harmonia interna.
A própria figura da morte torna-se mensageira de devastação pela perspectiva do aniquilamento da vida, por conseqüência, pela total falta de sentido existencial.
Quando, porém se tem convicção a respeito da imortalidade do Espírito, a esperança está sempre presente e qualquer tipo de programação não se encerra na etapa da consumpção biológica.
Há indivíduos que afirmam acreditar na sobrevivência da vida após o túmulo. Entretanto, os seus atos desdizem completamente a assertiva. Isto porque, vivem como se nunca lhes terminasse o périplo carnal, ou se permitem comportamentos esdrúxulos em relação à crença, como a irresponsabilidade moral, as condutas não compatíveis com a boa ética recomendada pelo Evangelho de Jesus, as atitudes agressivas e vingativas...
A crença na transcendência da vida impõe, sem dúvida, responsabilidade em todos os momentos da existência corporal.
Os pensamentos obedecem a um programa edificante, tendo em vista o desenvolvimento intelecto-moral  do indivíduo. Logo, os seus são atos saudáveis, evitando as pequenezes muito comuns das pessoas atormentadas ou inquietas.
Torna-se capaz de suportar as vicissitudes, por mais angustiantes e desafiadoras que se apresentem, entendendo que somente lhe acontece aquilo que virá contribuir em favor de sua edificação espiritual, porque o mundo não se encontra à matroca, mas é dirigido pelo Excelso Nauta Jesus...
A resignação encontra-se ao lado da coragem para os enfrentamentos, nunca se evadindo dos compromissos assumidos perante a vida, a fim de que se não se transforme em peso na economia moral da sociedade, ante, porém, alguém que contribui em favor do progresso de todos.
Reveste-se de paciência em relação àqueles que se fazem percalço no desenvolvimento dos outros, assinalados pela agressividade e malquerença, sempre criando embaraços e problemas. Compreende que não são maus, mas que se encontram enfermos da alma ou demoram nas faixas mais primárias da evolução, procurando ajudá-los ao invés de rechaçá-los com os mesmos instrumentos de agressividade.
Jamais se permite abater quando lhe chegam as provações necessárias ao avanço espiritual, mantendo a alegria de viver e de servir, o que lhe não impede os momentos de maior tensão ou tristeza, aflição ou ansiedade...
Está sempre disponível para as realizações dignificantes, tornando-se companheiro devotado de todos os momentos junto aos trabalhadores do Bem e da Verdade, servidor enobrecido que se transforma pelo seu exemplo de abnegação.
Embora haja mulheres e homens honoráveis que ainda não consigam acreditar na sobrevivência espiritual, portadores de excelente conduta, caso viessem a descobrir essa realidade, entregam-se-lhe, poderiam oferecer um contributo mais amplo e grandioso do que esse que eles estão ofertando à Humanidade.
A crença na imortalidade proporciona metas próximas e remotas, ampliando ao infinito os horizontes e as expectativas do ser humano, que se enobrece pelo Bem e se liberta das paixões perturbadoras que afligem a maioria.
Encontramos desse modo, em todos os segmentos da sociedade, aqueles que não crêem e são nobres, assim como aqueles que afirmam acreditar na imortalidade e, no entanto, não se facultam o crescimento moral tendo em vista o futuro que lhes aguarda.
O Espiritismo, demonstrando a continuidade da vida depois da disjunção molecular do corpo somático, contribui de maneira eficaz para a construção de uma sociedade mais razoável, mais lúcida quanto aos seus deveres, mais fraternal.
Demonstrando que a reencarnação é oportunidade de refazer experiências malogradas, adquirir novos conhecimentos, desenvolver as aptidões adormecidas, limar as imperfeições morais favorece a alegria infinita do discernimento lógico e da oportunidade de adquirir a plenitude, a harmonia interior que estimula o crescimento em relação aos valores eternos.
Joanna de Ângelis
Por  Divaldo P. Franco
Livro: Liberta-te do Mal