terça-feira, 26 de março de 2013

Psicosfera

Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita”. – José, Espírito protetor. (Bordéus, 1863)
O Evangelho Segundo Espiritismo Capítulo X – item 16
No Universo tudo é vida e transformação. Leis imutáveis regem a harmonia através do regime de unidade. A vida do homem em sociedade, submetida a essas leis naturais, respira nesse engenho divino que destina os seres à evolução. A ordem que preside tais fenômenos é regida por princípios de atração e repulsão que esculpem pouco a pouco, os valores morais dignificadores da vida interpessoal. “Semelhante atrai semelhante,” e “opostos se retraem”.
O pensamento é força energética com cargas vigorosas, e o sentimento dá-lhe qualidade e vida tornando o psiquismo humano  o piso de formação dos ambientes em todo lugar.
Tomando por comparação as teias dos aracnídeos, criadas para capturar alimentação e se defenderem, a mente humana, de modo similar, tem seu campo mental de absorção e defesa estabelecido pelo teor de sua “radiação moral”: São as psicosferas. Quanto mais moralizado, é o “circuito de imunidade da aura”, preservando o homem das agressões naturais de seu “ecopsiquismo” e selecionando o alimento mental vitalizador do equilíbrio de todo o cosmo biopsíquico.
O estudo da formação das psicosferas explica-nos a razão de muitas sensações e incômodos, claramente percebidos pelas criaturas na rotina de seus afazeres junto aos ambientes da convivência social. Enxaquecas repentinas, náuseas, falta de oxigenação, tonturas, alterações de humor instantâneas, alterações no bem--estar íntimo sem razões plausíveis, irritações ocasionais sem motivos, sentimentos de agressividade, ansiedade e tristeza súbita, indisposição contra alguém sem ocorrências que justifiquem, eis alguns possíveis episódios que podem ter origem na natureza psíquica dos ambientes.
Evidentemente, os locais de nossa movimentação serão sempre o resultado da soma geral das criações que neles imprimimos, colhendo dessa semeadura somente os frutos que guardem semelhança com a qualidade das sementes que espalhamos. Dessa forma, alguns descuidos da conduta ensejam romper com as “teias mentais defensivas” em razão da natureza de nossas ações.
Nesse sentido, faz-se necessário destacar que a palavra mal conduzida tem sido uma das mais frequentes formas de fragilizar nosso sossego interior. Através dela temos permitido uma ligação quase permanente, pela lei da associação mental, com os “campos de nutrição e defesa” alheios, criando uma espécie de “comunidade de vínculos” na qual encarceramo-nos a onerosos desgastes voluntários, quais os citados acima. Basta imaginar várias teias de aranha se encontrando nas extremidades formando o enorme “manto”... Assim passam a ser elos de contato e abertura a toda espécie de seres que se movimentem naquelas faixas nas quais sintonizamos.
Tudo isso pela invigilância em acentuar os aspectos sombrios dos outros e do meio, passando a partilhar na intimidade daquela inferioridade que destacamos fora de nós.
Vemos, frequentemente, pessoas preocupadas com o mal que o outro pode lhe fazer, temerosas com os “olhos gordos” que lhes infundem fantasias místicas e sentimentos inferiores em relação a alguém, entretanto, ignoram que seu grande inimigo, seu grande oponente são elas próprias, através dos comportamentos pelos quais atraem o mal a si mesmos. Somos sempre os únicos responsáveis por nós.
O homem na Terra encontra-se tão habituado a denegrir o outro que não é capaz de avaliar o mal que faz a si com essa atitude. No entanto, na medida em que busca sua transformação, afeiçoa-se a conduzir sua palavra mais nobremente em relação ao próximo e a tudo que o cerca. Somente então, quando inicia o programa de disciplina, consegue aquilatar com mais sensibilidade o quanto custa em seu desfavor o descuido com o verbo edificante.
Essa necessidade humana de destacar o mal alheio encobre, quase sempre, o desejo de rebaixar o outro e causar nos a ilusória sensação de superioridade, uma “maquinação” milenar do orgulho nos recessos da mente. Para nos referirmos ao mal alheio sem causar prejuízos a nós próprios, parecemos antes proceder a uma análise da natureza das emoções e intenções que nos conduzem a agir dessa forma. O que necessitamos aprender e sondar os nossos sentimentos quando falamos de alguém, o que está na nossa vida afetiva quando mencionamos o outro. Somente assim conheceremos melhor nossas reais motivações e teremos condições para empreender mudanças de posturas eficazes, que manterão nosso campo espiritual defendido das cargas enfermiças daquilo que não nos pertence.
Recordemos que os ambientes são o espelho do que somos. Se já percebemos o quanto é pernicioso o hábito de criticar por criticar, de julgar com inflexibilidade, de mentir sobre os atos dos outros ou ainda de difamar a vida alheia, então façamos uma pausa para entender as causas de nossas ações, perguntando ao tribunal da consciência a verdadeira razão pela qual ainda tomamos essas atitudes. Por que temos essas necessidades? Por que  alguém é sempre alvo de nossos comentários deprimentes? Por que alguém nos incomoda tanto? Que posso fazer para amanhã não agir da mesma maneira?
Além disso, ore sempre nos círculos de trânsito por onde, iluminando tua aura e fortalecendo tuas defesas contra as “teias mentais” daqueles que também agem nas trilhas ferinas da palavra áspera e malfazeja.
José, o Espírito protetor, diz que a indulgência acalma e atrai, Verdade incontestável.
Quando vemos os defeitos alheios, mas nos prestamos a tratá-los com real fraternidade e  compreensão, aderindo espontaneamente ao hábito de destacar-lhes também o “lado positivo” que possuem, candidatamo-nos a ser os Samaritanos da vida no socorro às doenças alheias, imunizando-nos dos infelizes reflexos que decorrem das ações às quais, muitas vezes, adotamos contra nós mesmos, na condição de juízes e sensores implacáveis da conduta do próximo. A indulgência cria focos de atração e interesse, fazem as pessoas sentirem-se calmas e bem quistas ao nosso lado, elevando-nos o “astral emocional” para viverem mais felizes.
Zelemos pelos nossos ambientes tornando-os saudáveis e agradáveis para conviver. Otimismo incondicional, vibrações positivas sempre, tolerância construtiva, cativar laços, o hábito contínuo da oração, sorrir sempre, expressar alegria e humor contagiantes, dar pouca ou nenhuma importância aos reclames e pessimismo dos outros, guardar a certeza de que ninguém pode nos prejudicar além de nós mesmos, querer o bem alheio, essas são algumas formas para a edificação de psicosferas ricas de saúde e paz, medidas salvadoras de asseio espiritual que eliminarão expressiva soma de problemas voluntários, dos quais podemos nos ver livres, desde que realmente desejemos.
Ermance Dufaux
Por  Wanderley Soares de Oliveira
Livro: Reforma Íntima Sem Mártírio