segunda-feira, 4 de março de 2013

Vivo

Precário, provisório, perecível;
Falível, transitório, transitivo;
Efêmero, fugaz e passageiro;
Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo.

 Impuro, imperfeito, impermanente;
Incerto, incompleto, inconstante;
Instável, variável, defectivo;
Eis aqui um vivo, eis aqui...

Os versos são de música do compositor pernambucano Lenine, e nos é inspiração para alguns pensamentos valiosos.
O Espiritismo proporciona ao ser um inestimável conhecimento a respeito de si mesmo.
Conhece-te a ti mesmo. – Eis o meio mais eficaz de nos melhorarmos nesta vida.
Aprendemos que há uma parte de nós que é perecível, transitória, passageira – nosso corpo material: um invólucro ponderável que põe o Espírito em contato com o mundo exterior.
Aprendemos que há outra parte, nossa essência, o Espírito, que toma de uma vestimenta carnal, de tempos em tempos, para viver a chamada encarnação.
Ainda, há o laço que liga os dois, o perispírito, ou corpo fluídico: imponderável laço – intermediário entre o Espírito e o corpo.
Falível, imperfeito, inconstante – este sou eu, ou melhor, estou eu, Espírito em desenvolvimento através das eras, conquistando valores morais e intelectuais nas muitas reencarnações.
Somos perfectíveis, transformáveis, passíveis de melhoramento constante e cada experiência no corpo é lição fundamental.
Estar vivo é estar nos trilhos do progresso inevitável.
Estar vivo é buscar o amor, mas não o amor que recebe apenas, mas o amor que doa.
Estar vivo é amar, amar profundamente.
Estar vivo é não desistir, pois se pode existir algum tipo de morte, essa seria a desistência, a indiferença e a passividade.
Estar vivo é buscar a luz, o entendimento, o amor, estando vinculado a um corpo físico ou não, pois a vida continua no espaço.
Somos sempre vivos, pois a morte, a tão temida morte, nada mais é do que uma transformação, e não um aniquilamento.
Quando o invólucro exterior está usado e não pode mais funcionar, tomba e o Espírito o abandona.
Assim como o fruto se despoja da sua semente, a árvore da casca, a serpente da pele, em uma palavra, como se deixa um vestido velho que já não pode servir – eis o que se designa de morte.
A morte é apenas a destruição do envoltório corporal, que a alma abandona, como faz a borboleta com a crisálida, conservando, porém, sua essência.
Somos sempre vivos quando nos dispomos a seguir em frente, contornando obstáculos, superando a nós mesmos através das eras.
Somos vivos, quando no corpo ou fora dele.
A vida que pulsa em nós não vem das batidas do coração, ou das atividades do cérebro material.
A vida que pulsa em nós vem do pensamento e da vontade, do sentir e sonhar.
Eis-nos aqui: um vivo.
*   *   *
Filhos de Deus, criados pela Onipotência de um Pai de amor e bondade, somos herdeiros do mais extraordinário legado: a Imortalidade.
Pensemos nisso e jamais nos detenhamos no caminho do progresso e da conquista dos brilhos estelares.

Redação do Momento Espírita, com versos da música Vivo, de
Lenine e Carlos Rennó, e nos itens 10 a 14 do cap. II do livro
O
que é o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.