segunda-feira, 15 de abril de 2013

LIVRE ARBÍTRIO

As predisposições instintivas que o homem traz ao nascer não
são obstáculos ao exercício do livre arbítrio?
- as predisposições instintivas são as do espírito antes da sua encarnação;
conforme for ele mais ou menos adiantado, elas podem impeli-los a atos
repreensíveis, no que ele será secundado por espíritos que simpatizem com suas
disposições; mas não há arrastamento irresistível, quando se tem a vontade de
resistir. Lembrai-vos de que querer é poder.


As chamadas predisposições instintivas são conseqüência de uma
opção prévia, ou seja, de uma escolha efetuada anteriormente. O
espírito reencarna com o seu patrimônio do passado, com as suas
inclinações e tendências.
A predisposição para o mal denota a presença de hábitos que
carecem ser renovados – o espírito está sempre necessitado de
transformar-se pela educação, partindo a cada existência nova,
exatamente do ponto em que se encontrava anteriormente.
De acordo com as suas tendências e inclinações, o espírito
estabelecerá, no corpo ou fora dele, os seus vínculos afetivos com
base na lei de afinidade; neste sentido a sua vontade será acrescida
da vontade daqueles que com ele sintonizam. Quase sempre a
problemática da obsessão é um processo consentido parte a parte,
ou seja, os espíritos se atraem e se comprazem uns com os outros na
medida de seus interesses.
Todavia, precisamos ressaltar o que os espíritos superiores
salientaram na resposta ao codificador: “Não há arrastamento
irresistível” pois, caso contrário, tornar-se-ia praticamente
impossível superar o círculo vicioso do mal; opondo o bem ao mal é
que, aos poucos, o homem fortalece a vontade, criando novas
disposições...
Assim como certas características genéticas vão, através de um
processo de seleção natural, se impondo a outras, com vistas à
perfeição da forma, os caracteres morais positivos tendem a
prevalecer sobre os negativos, construindo ao longo das vidas
sucessivas, o verdadeiro homem de bem.
A luta contra as suas tendências inferiores e inclinações infelizes
requisita do homem extrema perseverança – sem determinação e
disciplina, torna-se impossível a renovação... é onde a dor aparece
como indispensável coadjuvante, colaborando de maneira decisiva
no processo de mudança. O sofrimento descondiciona o espírito,
subtraindo-o, por assim dizer, ao mecanismo dos hábitos inferiores
adquiridos passivamente... Quando faz sofrer, a dor estimula a
criatividade do homem, que, então, se sente compelido a criar
mecanismos de defesa contra o sofrimento – anticorpos espirituais
que o fortalece contra as quedas sucessivas.
Apenas o bem é força inalterável; o mal é um elemento estranho
que o psiquismo aos poucos rejeitará... Aliás, a função do mal, que é
produto da imperfeição humana, é de justamente destacar o valor
do bem, como a doença ensinará o homem a preservar a saúde.
Todos sabemos que precisamos nos livrar do que nos causa algum
desconforto.
Sabemos distinguir felicidade de infelicidade; o conhecimento do
bem – esse estado natural de satisfação íntima – nos induz a
combater o mal em todas as suas manifestações... Não há quem se
sinta feliz, por maior que seja o seu estado de insanidade, em fazer
o mal; o mal, portanto inquieta, desequilibra – o bem harmoniza,
plenifica, ilumina...
De Deus não nos vem predisposição para o erro. Tudo começa
para nós num determinado instante de escolha – Causas que vão
desencadeando efeitos e efeitos que vão gerando novas causas. De
acordo com o nosso grau de consciência, vamos arcando com a
responsabilidade de nossas ações – responsabilidade que, no
entanto, sempre existe, impondo-nos a necessidade de reparação.