quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O balão de Benny

Benny tinha setenta anos quando morreu, subitamente, de câncer, em Wilmette, Illinois.
Nos últimos dez anos de vida, havia recebido o amor de alguém muito especial: sua neta, Rachel – e o amor de avô para neta, assim como o de neta para avô, é desses sentimentos de que nunca se esquece, e que nunca perece.
Infelizmente, Rachel não teve a chance de dizer adeus ao seu avô e, por isso, chorou durante vários dias.
Seu pranto apenas cessou quando teve uma ideia, após receber um grande balão vermelho numa festa de aniversário.
E a ideia era a de escrever uma carta para o vovô Benny, e enviá-la ao céu em seu balão.
A mãe de Rachel não teve coragem de dizer não, e observou, com lágrimas nos olhos, o frágil balão subir por entre as árvores que cercavam o jardim, e desaparecer.
Dois meses depois, Rachel recebeu esta carta, com carimbo do correio de uma cidade a novecentos quilômetros de distância, na Pensilvânia:
Querida Rachel, vovô Benny recebeu a sua carta. Ele realmente a adorou.
Por favor, entenda que coisas materiais não podem ficar no céu, por isso tiveram que mandar o balão de volta para a Terra.
Lá eles só guardam os pensamentos, as lembranças, o amor e coisas desse tipo.
Rachel, sempre que você pensar no vovô Benny ele saberá e estará muito perto, com um amor enorme por você.
Sinceramente, Bob Anderson (também um vovô).
*   *   *
A singeleza dessa passagem nos traz muita emoção.
Faz-nos pensar sobre a morte, sobre a separação, sobre o amor, de uma forma tão sublime!
A resposta que Rachel recebeu de um bondoso e inspirado avô, deve conduzir-nos a uma reflexão profunda sobre a vida, sobre como continuamos a estar próximos daqueles que partiram.
Eles só guardam os pensamentos, as lembranças, o amor e coisas desse tipo. Isto é, a maior homenagem que podemos fazer a eles estará no que sentir nosso coração, e no que recitarem as nossas preces.
Sigamos o exemplo dessa neta, e enviemos constantemente balões vermelhos ao céu, com nossas mensagens de amor e saudade a eles.
Os balões serão nossas orações, que somente ganharão altura suficiente para serem ouvidas, se guardarem em seu íntimo a simplicidade, a sinceridade e o coração.
O som das palavras voltará à Terra, pois, como disse o avô da história, coisas materiais não podem ficar no céu, mas tenhamos plena certeza que os sentimentos chegarão ao seu destino, e inundarão de alegria nossos amores desencarnados.
Rachel, sempre que você pensar no vovô Benny, ele saberá e estará muito perto, com um amor enorme por você.
*   *   *
Ensinemos as nossas crianças, desde cedo, a compreender a morte.
Mostremos a elas que esse é um fenômeno natural, e que nos separa apenas fisicamente daqueles que nos são caros.
Como se esses estivessem numa viagem ao Exterior, vivos, felizes, trabalhando e estudando. E apenas tivéssemos que desenvolver outras formas de comunicação com eles, além de telefonemas, cartas e e-mails.
Essas outras formas de nos comunicarmos estão em nossas preces, em nossos sonhos, e nas inspirações que nos enviam.
É muito importante que as crianças entendam, desde cedo, que a morte não existe, e que tornaremos a encontrar todos aqueles que não habitam mais a Terra.

Redação do Momento Espírita, com base na história O balão de
Benny, de Michael Cody, do livro Histórias para aquecer o coração,
de
 Mark Victor Hansen, Jack Canfield, Heather Mcnamara, ed. Sextante.