terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Aparentes injustiças


Entre historiadores, filósofos ou sociólogos, é corrente a ideia de que a evolução de uma sociedade se reflete na sua legislação.
Segundo essa análise, quanto mais justas e ponderadas forem as leis de determinado povo, maior o seu desenvolvimento coletivo.
Assim, percebemos que situações que eram aceitas há algum tempo, hoje são motivo de escândalo.
As leis de hoje a ninguém concedem o direito de lavar sua honra, através do duelo, como no passado, sem estar sujeito a penalidades legais.
Porém, tal prática ainda era corrente no Século XIX.
Não podemos hoje conceber que homens e mulheres tenham direitos diferenciados ou que as mulheres sejam vítimas de preconceito.
Porém, a legislação não possibilitava seu direito ao voto e restringia sua atuação no mercado de trabalho, nas primeiras décadas do Século XX.
Para alterar essas situações, inúmeros foram os juristas, estudiosos, filósofos e legisladores que, de boa fé, buscaram desenvolver leis cada vez mais justas.
E os mecanismos da justiça vêm sendo aperfeiçoados ao longo do tempo, visando proteger e garantir o bem-estar e a justiça para todos.
Muito embora o esforço e dedicação e, apesar do progresso indubitável das estruturas jurídicas na sociedade, ainda há muita injustiça a grassar no mundo.
Isso porque trazemos em nossa intimidade grande soma de imperfeições, que se refletem na sociedade.
Como não temos perfeita consciência das leis de justiça e fraternidade, agimos movidos por sentimentos diversos que os da correção das ações e da justeza dos atos.
E assim, porque não primamos pelo respeito às leis e aos direitos de nosso próximo, geramos injustiças. Ao mesmo tempo, nós mesmos também podemos ser atingidos pelas injustiças da sociedade.
Conhecedor da natureza humana como ninguém, Jesus, percebendo nossas dificuldades íntimas e de relacionamento, nos preveniu a respeito.
Não foi por outro motivo que nos ensinou que as bem-aventuranças estariam com aqueles que têm fome e sede de justiça.
De forma nenhuma queria indicar o Mestre que deveríamos estar à mercê dos injustos e dos maus.
Lecionou-nos a resignação frente a impositivos em que não temos como atuar em nossa defesa ou nos salvaguardar.
Portanto, perante as injustiças que acontecem no mundo, das pequenas às de grande monta, que tenhamos a coragem da humildade e da paciência para enfrentá-las.
Perceberemos, um dia, que muito melhor nos será perecer da injustiça que soframos, do que sermos os semeadores dela.
Preferível sempre sofrermos a sua ação, mesmo não lhe compreendendo os motivos, de imediato, do que procurar fazer justiça com as próprias mãos.
Assim, sejamos daqueles a primar pelo certo, pelo justo e pelo bem.
E, se as limitações e dificuldades daqueles que nos cercam nos atingirem com o peso da injustiça, entreguemo-nos a Deus, confiando na sua sempre soberana Justiça.
Pensemos: a Justiça Divina é infalível e a todos alcança. Os aparentemente injustiçados de agora estamos ressarcindo passados compromissos infelizes.
Logo mais, a plenitude nos alcançará.

Redação do Momento Espírita.
Em 3.12.2013.