segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Do modo mais difícil

A senhora, diante do médico, apresenta a adolescente de dezesseis anos.
– Doutor, minha filha perdeu o apetite, está anêmica, tem náuseas e tontura… Por favor, veja o que a menina tem!
O médico, após examiná-la:
– Minha senhora, sua “criança” está esperando outra criança. Está grávida de três meses!
A senhora, indignada:
– Impossível! Ela nunca esteve a sós com um homem! Não é verdade, minha querida?
– Claro, mamãe!
O médico vai até a janela e contempla o firmamento.
– O que o senhor está fazendo? – pergunta a jovem, visivelmente nervosa.
– Da última vez que isso aconteceu, nasceu uma estrela no Oriente e chegaram três reis magos. Não quero perder o espetáculo!

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Por traz da jocosidade dessa história, há o drama de um milhão e cem mil adolescentes que ficam grávidas anualmente, no Brasil, não raro aos doze anos, sem nenhum preparo para a maternidade.
Complicam seu futuro, prejudicam seus estudos, vêem-se às voltas com compromissos e responsabilidades para os quais não estão preparadas.
Há quem considere semelhante situação um carma, uma fatalidade programada.
Idéia lamentável! Sugere que situações dessa natureza são impostas por Deus, quando, na verdade, decorrem da iniciativa humana. Gravidez na adolescência não é fruto de inexorável determinismo.
Fácil demonstrar isso.
Quando medidas educativas são adotadas, tende a decrescer a ocorrência.
No Estado de São Paulo houve 148.018 casos em 1998.
Não obstante o crescimento da população, o índice caiu para 116.368, em 2002, a partir de um programa de orientação sexual aplicado nas escolas.

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A questão que se levanta é quanto à concepção, que envolve um Espírito de retorno á Terra para experiências evolutivas.
Pergunta-se:
Não é a reencarnação um processo que exige planejamento da espiritualidade, com todos os cuidados para localizar o reencarnante na família adequada, no tempo previsto? Se uma adolescente de doze anos engravida, não está inserida nesse contexto?
Não é bem assim. Em boa parte ocorre o que denominaríamos reencarnação natural, envolvendo Espíritos que, ligados psiquicamente aos parceiros do sexo, podem ser atraídos à experiência humana pelo campo vibratório que se instala quando ocorre a concepção.
Poderá o leitor contestar, evocando a observação de Jesus:
Não cai uma folha de uma árvore sem que seja pela vontade de Deus.
Bem, depende do significado que emprestamos à expressão vontade.
Se considerarmos desejo, intenção, determinação, estaremos justificando o assassinato, o estupro, o roubo, o adultério, a traição, como decorrentes dos desígnios divinos, um absurdo.
O mal é sempre obra do homem, não de Deus.
Mais correto considerar consentimento, admitindo que Deus nos concede o livre-arbítrio, com o compromisso de respondermos por nossas ações.
Nestes tempos de liberdade sexual confundida com libertinagem, em que sexo se tornou sinônimo de amor (daí esse horrível fazer amor), as pessoas, principalmente os adolescentes, exercitam sua sexualidade sem considerar que pode resultar, como acontece freqüentemente, em gravidez não desejada. Ela é consentida por Deus, envolvendo experiências dolorosas, preocupações e dificuldades que reverterão em seu próprio benefício.
Aprendem hoje o que não devem fazer, a fim de que amanhã façam o que deve ser feito, disciplinando suas emoções e contendo seus arroubos juvenis.
Do Livro Abaixo a Depressão!
Richard Simonetti