sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A porta da felicidade

O teólogo dinamarquês Soren Kerkegaard, muito inspirado, disse um dia: A porta da felicidade se abre para fora.
O complicado é que a maioria de nós não sabe como abrir essa porta e passa os dias infeliz.
O marido vive infeliz no lar porque a esposa faz uma série de coisas que ele não aprova. No entanto, ele se cala.
A esposa fica triste porque o marido, além de ficar muitas horas fora de casa por questão profissional, nos finais de semana, quando poderiam ficar juntos, agenda atividades que reúnem muitos amigos. Assim, eles nunca podem ficar a sós. Ela se magoa, mas se cala.
O amigo falta a um compromisso e ficamos tensos, até raivosos. Mas nada dizemos a ele.
Todas essas situações vão criando um clima de mal-estar que vai distanciando uma pessoa da outra.
A melhor maneira de resolver tais questões é falar. Falar sem agredir.
Em vez de decidir não mais encontrar o amigo faltoso, falar-lhe: Não gosto quando você marca um compromisso e não aparece. Quando você diz que vai à minha casa e não aparece, fico chateado. Sinto-me rejeitado. Quero pedir que não marque se não pode ir. Ou então, se marcar e tiver um imprevisto, faça o favor de telefonar, avisando.
O marido fale para a esposa e ela para ele como gostaria que o outro agisse. Diga como essa ou aquela atitude o incomoda.
Mas, que na conversa, não surjam acusações mútuas. O momento é para dialogar e estabelecer novas formas de conduta. Afinal, o que se deseja é mudar. E mudar para melhor.
O teatrólogo Alfredo Surto escreveu uma peça intitulada Um criador de homens.
Conta a história de um empregado que vivia deprimido, entregue ao desespero. Quando a promoção, com que ele tanto sonhava, foi dada para outro colega de serviço, seu desespero chegou ao auge.
Em casa, confidenciou para a esposa: Sou um fracasso! Não sou nada! Que foi que eu fiz da minha vida?
Ela o olhou, aproximou-se e com firmeza, respondeu:
Eu sei o que você fez da sua vida! Fez uma mulher se sentir amada. Deu a ela amor, lealdade, compreensão e dedicação. Deu-lhe tudo, menos luxo, e de luxo ela não precisa. Em todos os sentidos que realmente importam, você venceu.
No momento seguinte, o homem em desespero, reviveu. Encontrou novo estímulo para prosseguir na sua luta, na perseguição do seu ideal. E, o mais importante, valorizando o que tinha.
A porta da felicidade é fácil de se abrir. Saber dizer para as pessoas de maneira direta, firme e clara, quando alguma atitude delas incomoda, é uma delas.
Mas, a mais importante, sem dúvida, é a frase que comunica ao outro ser humano: Como eu gosto de você! Ou: Como você é importante para mim!
*   *   *
A felicidade é feita de pequenas coisas. Atente para elas. Não esqueça de reconhecer que a esposa está mais paciente, que o marido está mais participativo ou que a filha está mais responsável.
Deixe bilhetinhos inesperados, em lugares estratégicos, para que os seus amores os encontrem e se sintam felizes.
E, passeando, sem maior compromisso, compre um pequeno mimo, um presentinho para o seu filho, para o seu amigo, para ele saber que você pensou nele.
Lembre: A porta da felicidade se abre para fora.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.Ecologia doméstica, do livro Pais e filhos - companheiros de viagem, de
Roberto Shinyashiki, ed. Gente e no texto
A
convivência humana, de José Ferraz, da Revista Presença
Espírita, de nov/dez/2001, ed. LEAL.