terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um simples dever

Afirma-se que o verdadeiro virtuoso ignora que o é. Para ele, o que realiza é perfeitamente natural.
Dizem-nos os Espíritos superiores que toda a eterna felicidade se contém no preceito: Amai-vos uns aos outros.
E nos convidam a amparar os nossos irmãos, abandonando a feia chaga do egoísmo.
Algumas almas nobres entenderam muito bem essa lição. Em recente entrevista, o maestro João Carlos Martins contou que, certo dia, um jovem violinista da orquestra que ensaiava, ao deixar a sala de espetáculos, lhe pediu dez reais emprestado.
Para que você deseja dez reais? – Perguntou-lhe.
Porque tenho fome. – Foi a lacônica resposta.
O maestro não somente lhe deu o dinheiro, mas lhe fez uma promessa: Você nunca mais pedirá dinheiro para matar a fome. Você tem talento. Eu vou fundar uma orquestra e você será o primeiro violinista.
Assim o disse e assim o fez. A Bachiana Filarmônica realizou seu primeiro concerto, em 2004, na prestigiada Sala São Paulo.
Com um repertório que inclui sinfonias de Beethoven, Brahms, Tchaikovsky, se apresentou nas mais importantes salas de concerto do Brasil e no Exterior.
Dois anos depois, João Carlos fundou a Orquestra Bachiana Jovem, com o objetivo de trabalhar a evolução musical de jovens musicistas. Também democratizar a música clássica, apresentando-a para pessoas que jamais tiveram acesso às salas de concerto.
Por isso, as apresentações foram realizadas nas comunidades mais carentes, em diversas escolas e praças públicas, pelo Brasil afora.
Hoje, as duas orquestras se fundiram e formam a Bachiana Filarmônica Sesi-SP, um grupo formado por vinte e cinco profissionais, que são orientadores de quarenta e cinco musicistas.
O maestro criou, ainda, a Fundação Bachiana, cujo tema é arte e sustentabilidade. Mais de dois mil jovens recebem educação musical, em diversos polos, de forma gratuita.
Seu sonho vai mais longe, em seu anseio de resgate social: deseja que esses polos se multipliquem até mil, pelo nosso país.
A música que nutre a sua vida, ele a deseja espalhar, como seiva generosa, ao maior número de pessoas.
Sua Bachiana foi a primeira orquestra brasileira a se apresentar no Carnegie Hall. Voltou a Nova York mais três vezes, apresentando-se também no Lincoln Center.
Enquanto realiza o seu sonho, o maestro leva o nome do Brasil para plateias internacionais. E apoia novos talentos, investindo tempo em ouvir, sempre que alguém lhe fala a respeito de um jovem artista.
O Brasil, no Século XX, teve um outro sonhador. Villa Lobos idealizou um programa educacional musical para o país, tendo como principal objetivo o ensino e a prática do canto orfeônico.
Os dois brasileiros realizaram e continuam a realizar grandes benefícios para os seus compatriotas.
E, de forma simples, conclui o maestro João Carlos Martins: É um dever. A música enriquece a minha vida. Por que não compartilhar e dar chances aos meus irmãos em humanidade?
 Redação do Momento Espírita, com base
em dados biográficos de João Carlos
Martins e Heitor Villa Lobos.