quinta-feira, 27 de março de 2014

Dever de irmão

Diana desejava ser médica. Por não ter condições de pagar a faculdade de medicina, optou por enfermagem.
No ano de 1966, depois de uma palestra na escola, alistou-se no exército. Aquilo equivalia a trabalhar e ser muito bem paga.
Durante dois anos, trabalhou no presídio, em São Francisco. Duas vezes foi chamada para ir ao Vietnã e recusou.
Na terceira, com o posto de capitão, acreditou que estava preparada para enfrentar qualquer coisa e foi.
Designada como enfermeira-chefe da ala de ortopedia, tomou contato com soldados que sofriam amputações traumáticas.
Logo sua reputação de muito rígida se espalhou. Uma de suas principais regras era que às enfermeiras era proibido chorar.
Os homens feridos e à beira da morte, dizia, precisam de nossa força.
Também era muito direta com os soldados. Jamais disse a um ferido que iria ficar bom, se não fosse verdade. Não mentia.
Então, um quase garoto foi trazido ao hospital. Não devia ter mais de dezoito anos.
Imediatamente, Diana viu que nada mais poderia ser feito para lhe salvar a vida. Embora com muita dor, o soldado jamais reclamou ou se queixou.
Quando ele lhe perguntou se iria morrer, ela respondeu indagando qual era a opinião dele.
Como ele dissesse que achava que iria morrer, ela o orientou para que orasse, se soubesse.
O soldado lhe pediu que segurasse sua mão, enquanto ele fizesse a prece. Aí, alguma coisa estalou dentro dela.
Aquele garoto merecia mais do que uma mão que apertasse a sua.
Ela colocou seus braços à volta dele, permitiu que ele se aninhasse em seu colo e tocou seu rosto.
Beijou-o e juntos, recitaram a oração que ele lembrava:
Ao deitar-me, peço ao Senhor que guarde a minha alma. Se eu morrer antes de acordar, peço a Deus que cuide da minha alma.
Ele deu um suspiro, olhou-a e disse apenas uma frase mais: Amo você, mamãe, amo você.
E morreu, nos braços de Diana, calma e tranquilamente, como se tivesse mergulhado em repousante sono.
Quando Diana ergueu os olhos, deu-se conta de que não somente ela quebrara suas regras, mas igualmente as demais enfermeiras. Todas choravam, silenciosamente.
A enfermeira-chefe retirou-se para seu quarto, pensando na mãe do soldado morto.
Ela receberia um telegrama dizendo que o filho morrera de ferimentos de guerra.
Diana ficou a pensar o quanto aquela mãe se perguntaria como morrera seu filho.
Teria sido no campo de batalha? Alguém estava com ele? Teria sofrido muito?
Por isso, tomou de uma folha de papel e caneta e escreveu uma carta. Seria bom que a mãe soubesse que, nos últimos momentos, o filho pensara nela.
Mas, com certeza, o mais importante para aquele coração materno seria saber que seu filho não morrera sozinho.
*   *   *
Uma enfermeira que serviu no Vietnã dizia que todos os soldados pertencem a alguém.
Eles têm pai, mãe, mulheres, filhas...
Têm alguém que os ama.
Importar-se com essas pessoas, com certeza, vai muito além do dever de qualquer enfermeira.
Importar-se com quem está aguardando notícias e vive a angústia da espera, é dever de irmão que entende o drama do seu irmão.
Isso se chama amor ao próximo. Isso se chama dever de irmão.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Ao deitar-me
em meu leito, de autoria de Diana Dwan Poole, do livro Histórias
para aquecer o coração dos pais, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen,
Jeff Aubery, Mark & Chrissy Donnelly, ed. Sextante.