domingo, 9 de março de 2014

O sal da vida

Conta-se que, há muitos anos, viveu um sábio que era seguido por inúmeros discípulos.
Certa vez, porque enfrentava dificuldades incontáveis, um desses discípulos o procurou, a fim de com ele se aconselhar.
Mestre, muito estou sofrendo, disse o jovem. Já não vejo solução para os problemas que me atormentam. Preciso de sua ajuda.
Pois bem, respondeu o mestre, gentil como sempre. Caminhe comigo até a cozinha.
Foram os dois, conversando, e o discípulo colocou o sábio a par de suas dificuldades.
Em seguida, o mestre pediu: Meu jovem, traga-me o recipiente no qual guardamos o sal.
O rapaz prontamente obedeceu e entregou ao sábio o que fora solicitado.
Tendo em suas mãos um copo cheio d’água, o mestre disse ao discípulo: Agora, pegue um generoso punhado de sal e o misture neste copo com água. Depois, quero que tome um grande gole.
O aprendiz, ainda que contrariado, obedeceu às instruções.
­Qual o gosto? Questionou o sábio.
Ruim, muito ruim! Respondeu o discípulo, franzindo o rosto.
Pois bem, continue a caminhar comigo. Vamos ao lago.
E mais uma vez foram ambos andando, lado a lado, até chegarem ao lago.
O mestre trouxera consigo o recipiente com sal e, próximo à margem, disse ao discípulo:
Quero que você pegue um generoso punhado de sal e o jogue no lago.
O jovem obedeceu e, assim que o fez, recebeu nova ordem:
Agora se abaixe e tome um gole d’água do lago.
O rapaz, abaixando-se, tomou não somente um, mas muitos goles, pois aquela era uma água muito refrescante.
E agora? Qual o gosto? Sentiu o gosto do sal? Arguiu o mestre.
Não, de forma alguma! Pelo contrário, essa água foi capaz de matar minha sede! Contrapôs o discípulo.
As dificuldades que enfrentamos na vida são como um punhado de sal diluído.
Se você tem suas dificuldades em mãos e as dilui em seu egoísmo, faz o mesmo que diluir o sal no copo d’água e, assim, elas se tornam difíceis de serem superadas.
Por outro lado, prosseguiu, se você as dilui em sua capacidade de aprendizado, é como diluir o sal no lago e os problemas deixam de existir.
Restarão apenas, concluiu o mestre, as lições que cada dificuldade carrega consigo e que são as responsáveis por nos fazer avançar na senda do progresso.
*  *  *
Muitos são os que extraem dos problemas e das dificuldades somente o sofrimento.
Se vislumbrarmos o panorama de nossas amarguras com os olhos do pessimismo, egoísmo ou orgulho, teremos sempre motivos para nos queixarmos de nossa sorte.
Por outro lado, se contemplarmos tal cenário com consciência de que nenhuma dor é eterna e de que cada dificuldade é oportunidade redentora, tal qual o tombo que por vezes machuca, mas que ensina a melhor caminhar, jamais nos queixaremos novamente.
Antes, agradeceremos ao Senhor da Vida por mais uma lição...
Pensemos nisso... E pensemos agora!
Redação do Momento Espírita,
com base em conto de autoria desconhecida.