terça-feira, 29 de abril de 2014

LIBERDADE ALHEIA

Sempre que exercemos influência sobre alguém que renteia conosco nos caminhos da
madureza, seja na condição de pais ou mentores, familiares ou amigos, é muito fácil
ultrapassar os limites da conveniência travando naqueles que mais amamos os movimentos
com que se dirigem para a liberdade.
Pratiquemos, sim, a beneficência da educação procurando orientar, instruir e corrigir amando
sempre, mas sem violentar e sem impor.
***
Costumamos providenciar tudo a benefício dos entes queridos quanto ao aprovisionamento
de recursos naturais, esquecendo-nos, porém, bastas vezes, de doar-lhes a oportunidade de
serem como devem ser.
Nesse sentido, vasculhemos o próprio espírito e verificaremos quanto estimamos a faculdade
de sermos nós próprios, de abraçar as crenças que se nos mostrem mais consentâneas com
a capacidade de discernir, de sermos respeitados nas decisões que assumimos, de buscar o
tipo de felicidade que mais se nos coadune com a paz do espírito, de escolher os amigos que
nos pareçam mais dignos de atenção ou de afeto.
Ainda quando nos enganemos, sabemos aproveitar a lição para subir na escala de nossa
adaptação à realidade, debitando-nos os erros e fracassos, com que sejamos defrontados
sem razão para nos queixarmos dos outros.
***
Meçamos a necessidade de emancipação no próximo pelo nosso próprio anseio de
independência e sempre que nos caia sob os olhos qualquer estudo em torno da indulgência
recordemos a dádiva preciosa que todos os nossos companheiros de experiência esperam
de nós em aflitivo silêncio; a permissão de cogitarem do seu próprio aperfeiçoamento na
escolha permanente da vida tão autênticos e tão livres como Deus os fez.