sábado, 26 de abril de 2014

Permissão de Deus

Um dos lindos episódios da vida do Cristo e de relevantes ensinos é o que diz respeito ao Seu julgamento. Ele se mantém sereno.
Inocente de todas as acusações, não grita, nem se defende. De que adiantaria falar, se ninguém disposto estava a ouvi-lO? Se havia sido decidido que Ele deveria morrer?
Sábio por excelência, Ele, que tanto havia cantado as excelsas maravilhas do reino dos céus, que tecera os mais lindos poemas com as coisas mais simples da natureza, se manteve quieto diante de Anás e Caifás.
No interrogatório a que foi submetido por Pilatos, Jesus responde e, da admiração inicial, o procurador da Judeia passa a sentir um secreto terror daquele homem misterioso.
Ele estava habituado, nos julgamentos, a que os acusados falassem muito, gesticulassem, se revoltassem contra as acusações, protestassem inocência.
Mas Jesus ouve com a maior calma do mundo todas as acusações. Nenhum sinal de contrariedade. Nenhuma palavra de protesto. Nenhuma explicação. Como se não fosse Ele o alvo da peça acusatória, mas algum outro homem muito distante dali.
Em certo momento, Pilatos pergunta: Não me falas? Não sabes que tenho poder para te crucificar, e que tenho poder para te soltar?
Ao que Jesus responde: Tu não terias poder algum sobre mim, se te não fosse dado do Alto.
Eis a grande lição. A autoridade de Pilatos, antes de lhe ser outorgada pelo Imperador, lhe fora dada por Deus.
Autoridade pela qual ele deveria responder à Lei Divina, mais do que à lei dos homens, que pode ser burlada.
A consideração nos remete aos dias atuais quando o homem realiza tantas coisas, sem se aperceber de que, se tudo lhe é permitido, o é por Deus.
Falamos das experiências científicas que envolvem seres humanos, em especial.
O homem pesquisou e adentrou o campo da genética. Possibilitou a concepção em vitro. O congelamento de embriões para futuros implantes no útero.
E esse mesmo homem, que se alça à condição de cocriador, é o que clama pela destruição de outras tantas vidas, apoiando a pena de morte e a eutanásia.
O homem aperfeiçoou as máquinas e conquistou os céus. Avançou e desafiou o espaço sideral.
E usou os aviões para jogar bombas, matando os seus irmãos em larga escala. Almeja a conquista do espaço para submeter outras nações.
O homem é guindado à cúpula da autoridade das poderosas nações da Terra. E dali comanda a paz e a guerra, por interesses políticos ou outros que lhe digam respeito.
O homem domina o campo das leis e estabelece arbitrariedades para decidir quem deve viver e quem deve morrer.
Poder. Autoridade. Gestos. Atitudes.
*   *   *
O homem dispõe do seu livre-arbítrio para realizar o que bem deseje. O que não pode olvidar é da responsabilidade que detém, pela autoridade, e pelas possibilidades que o Criador lhe confere.
O homem é grande e muito pode. Mas não se deve esquecer de que, acima dele, paira a Justiça Divina que a todos alcança.
Autoridade é chance de crescimento. Quanto maior e mais abrangente, maior também se faz a responsabilidade de quem dela está investido.

Redação do Momento Espírita, com base nos
caps. 180 e 181, do livro
Jesus Nazareno, de
Huberto Rohden, ed. Vozes e no cap. XIX do

Evangelho de João, versículos 19 a 21.