sexta-feira, 2 de maio de 2014

A questão do auxílio

Está em alta o voluntariado. As pessoas vêm se sensibilizando ante a problemática alheia e têm aderido a programas variados, doando algumas horas em tarefas voluntárias.
Tanto cresce o número de voluntários e das instituições de cunho beneficente e filantrópico que, naturalmente, também cresce o número de beneficiados, o que é altamente positivo.
Dia virá em que a Terra, reverdecida pelo amor, somente terá flores de alegria, sem espinhos de dores e lamentações, pois cada irmão auxiliará o seu irmão, enxugando-lhe o pranto e sustentando-o na jornada.
No entanto, importante adquirir o bom senso para auxiliar com sabedoria e eficácia é uma meta que devemos perseguir.
Conta-se que um homem percebeu que, em sua cidade, nos chamados bolsões de miséria, havia um elevado número de doenças infantis, causadas pela falta de tratamento da água ingerida pelas crianças.
Sensibilizado, por desfrutar de boa condição financeira, decidiu resolver o problema, doando um filtro de água para cada lar da periferia.
Visitou a favela, comprou cinquenta filtros e os distribuiu, de porta em porta.
Uma semana depois, decidiu conferir se sua generosa atitude tinha dado certo e foi visitar todas as casas. Observou que, em cada uma delas, lá estava o filtro. Todos estavam secos, o que queria dizer que as crianças haviam tomado a água neles depositada.
Dois meses depois, soube que persistiam as enfermidades infantis na localidade. Ficou triste porque, afinal, gastara um bom dinheiro na aquisição dos filtros e desejava ver o problema solucionado.
Por isso, voltou à favela para rever a situação. Ao chegar, uma cena o chocou: uma criança tomava água impura, não filtrada.
Inconformado, dirigiu-se à mãe da criança, com palavras ásperas, cobrando-lhe uma atitude.
Quando ele fez pequena pausa, a mulher, que ouvia calada, falou simplesmente: Seu doutor, o senhor deu o filtro, mas não disse para que ele servia. O senhor não nos ensinou a usar.
Somente então ele se deu conta do seu erro. Os filtros secos que encontrara, em sua visita anterior, estavam realmente secos. Não tinham sido utilizados.
Na sua condição de pessoa instruída, jamais imaginara que a falta de cultura de higiene daquela gente simples chegasse ao extremo de não saber como utilizar um filtro de água.
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No trato com os necessitados, procure sempre se colocar na condição deles. Use a empatia.
Não distribua simplesmente as dádivas de sua condição. Investigue, pergunte, se interesse pelas pessoas que planeja auxiliar.
Existe muito problema que requer mais esclarecimento do que recursos amoedados.
Por vezes, o que a criatura mais necessita é de alguém que a esclareça como superar a dificuldade: quais os meios disponíveis, quais os órgãos encarregados de auxiliar, como procurá-los.
Se você sabe mais, ensine, respeitando as limitações das criaturas de menor saber, instruindo-as, com fraternidade, usando linguagem de fácil compreensão.
Pense que Jesus, o Divino Amigo, se fez pequeno entre o povo simples, para ensinar as coisas grandiosas do Reino dos Céus, com palavras comuns e imagens conhecidas das mães sofridas, dos homens incultos, dos pescadores, lavradores e deserdados de entendimento.

Redação do Momento Espírita, com base no
cap. IV, do livro
Novas histórias que ninguém contou,
novos conselhos que ninguém deu, de Melcíades José
de Brito, editora DPL.