terça-feira, 20 de maio de 2014

ANTES DA CRISE

No ápice das grandes provações, muitas vezes, tumultuam-se os que anseiam compartilhar da
prestação de serviço.
Ante um naufrágio, aparecem os candidatos ao concurso de urgência, lançando petições
inconsideradamente ou improvisando salva-vidas com os inadequados recursos que encontram.
Se um incêndio devora uma casa, comprometendo-lhe a segurança, habitualmente eis-nos lépidos na
ação quase sempre descontrolada para que o fogo se extinga.
Felizmente que assim é na exaltação da solidariedade nas horas difíceis.
Benditos sejam os braços tocados de amor fraterno que se dedicam à elevada missão do bem.
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Entretanto, na culminância das grandes tribulações, ser-nos-á lícito meditar na importância do auxílio
das horas de paz.
É impossível que as águas invasoras de uma represa esbarrondada nunca saíssem do leito, criando
dificuldades, se alguém houvesse espontaneamente corrigido a obscura brecha inicialmente surgida
na construção.
Certos prédios talvez jamais se precipitassem no solo, ocasionando prejuízos enormes, se alguém
houvesse ajudado com humildade a retificar na planta que lhes deu origem, esse ou aquele diminuto
erro de cálculo.
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Sabemos que as leis cármicas são positivas, no entanto, não desconhecemos que o amor e a
renovação lhe refazem os efeitos.
Pensemos nisso, a fim de valorizar os donativos de cooperação considerados mínimos.
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Pequena demonstração de bondade pode sustar o braço quase delinqüente, impedindo o suplício de
vastos grupos domésticos.
Um gesto de compreensão é capaz de obstar a queda de alguém na toxicomania, evitando milhares
de dias amargos para diversas pessoas.
Algumas horas de diálogo amigo, em muitos casos, apaga a ameaça de suicídio iminente,
imunizando centenas de criaturas contra o pessimismo e desânimo.
Singela colaboração amoedada é suscetível de apaziguar uma família em penúria, frustrando aflitivas
provas no nascedouro.
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A grande crise, no terreno individual ou coletivo, em muitas circunstâncias, se define como sendo a
grande soma das nossas pequeninas omissões na prática do bem, gerando a condensação do mal.
Justo nos comovamos, dispondo-nos a suprimi-la onde apareça, entretanto, importa refletir no valor
das nossas pequeninas doações de auxílio e compreensão, antes dela.