quarta-feira, 7 de maio de 2014

Mãe

Certa feita, fomos surpreendidos pela resposta de uma criança que, ao ser indagada acerca do que desejaria ganhar como presente, no dia do seu aniversário, sem pestanejar, pediu: Quero uma mãe.
Ora, lhe falamos, mas você tem uma mãe. Por que quer outra?
A mãe que eu tenho, respondeu, de verdade eu não tenho. Ela nunca está em casa. Eu preciso muito de uma mãe.
Era o desabafo de uma criança de sete anos, retratando sua realidade.
Temos observado mães que têm mais de um emprego, que ficam distantes do lar horas em demasia. Tudo em nome da necessidade financeira.
Ressalvadas aquelas que realmente se veem obrigadas a longas e exaustivas horas fora do lar, a fim de prover o sustento aos pequenos, o que se vê são algumas mulheres que têm por principal objetivo na vida crescer na carreira profissional. Não importa o preço. Mesmo sejam os filhos carentes de afeto e de cuidados maternais.
Vê-se também que as considerações de necessidades são bastante relativas. Desde que essas mesmas mães, que se esmeram em várias atividades, são as que transitam em férias, anualmente, pelos países da América, da Europa ou períodos mais ou menos prolongados em SPA, praias ou estações termais.
Essas mesmas mães são as que fazem questão de trocar de carro todo ano e de adquirir para os filhos as roupas da moda, as grifes do momento. Necessidades fictícias. Jamais verdadeiras.
E tudo em detrimento da criança, da sua necessidade afetiva, que é real, da necessidade fluídica que tem da mãe. A criança se alimenta dos fluidos da mãe, a quem ama e de quem depende.
*   *   *
Mães! Repensemos as atitudes. Vejamos se não estamos abdicando da mais nobre tarefa que o Senhor da Vida nos confiou: a maternidade.
Maternidade que nos eleva à tarefa de educadoras por excelência.
Não estamos sugerindo um retorno irrestrito ao lar, ao exclusivo forno e fogão, limpeza e tanque. Estamos falando sim, de revermos as horas fora do lar e, tanto quanto possível, as restringi-las um pouco. Em especial, quando os filhos são pequenos e mais carentes da nossa atenção.
Carinho de mãe pode ser substituído? Talvez. Mas a educação que deixarmos de dar aos filhos - por isso teremos que responder, com certeza. Se o trabalho profissional nos exige, verdadeiramente, um excessivo número de horas longe dos nossos rebentos, então, ao chegarmos em casa, dediquemo-nos a eles.
Ouçamos as mil coisinhas do dia, que para eles são de suma importância. Reservemo-nos para lhes dar afagos, sorrisos, brincar com eles. Permitamos que, ao menos no cair do dia, eles possam matar as saudades pela nossa longa ausência.
Vejamos se fizeram a lição. Seus progressos na escola.
E, nos finais de semana, saiamos com eles. Ouçamos as suas dúvidas. Permitamo-nos ser suas confidentes.
Ensinemo-los a orar. Contemos histórias de Jesus.
Demo-nos a eles e realizaremos a tarefa de conduzir para o bem essas almas que Deus nos confiou, à conta de filhos.
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Nada substitui a presença e o carinho maternos: nem presentes, nem longas viagens, nem folguedos em lugares espetaculares.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita.