quinta-feira, 22 de maio de 2014

O melhor dos lugares

Conta a tradição persa que uma caravana viajava há dias pelo deserto. Já não havia uma gota d’água para aplacar a sede.
De repente, os caravaneiros encontraram um poço. Fizeram descer por ele uma vasilha, mas a corda arrebentou.
Com a segunda e a terceira, aconteceu o mesmo. Decidiram, então, que um dos viajantes desceria amarrado a uma corda.
Ele também não voltou. Desceu o segundo e esse também não voltou.
Foi quando um sábio, que viajava com eles, se ofereceu para descer. Assim foi feito.
Ao chegar ao fundo do poço, ele encontrou um monstro horripilante que se achava o guardião do poço.
Ele disse ao sábio:
Agora você também é meu prisioneiro e só terá sua vida poupada se der a resposta certa à minha pergunta.
Pois pergunte, disse o sábio. E o monstro questionou:
De todos os lugares do mundo, qual é o melhor?
Diante da pergunta, o sábio pensou que estava cativo e impotente nas mãos do monstro. Se dissesse que o melhor lugar seria a sua própria terra, estaria desprezando a morada do monstro.
Por fim, respondeu:
O melhor lugar do mundo é aquele onde se tem amigo íntimo, ainda que esse lugar seja o fundo da Terra.
Bravo! -  Exclamou o monstro. Você é um verdadeiro homem e sua sabedoria salvou a sua vida e a de seus amigos.
*   *   *
O melhor dos lugares é onde se tem um amigo. Amigo sincero, devotado.
Aquele que, no dizer do Mestre de Nazaré, dá a sua vida pela do seu amigo.
Amigo é alguém que nos fala, olhando nos olhos e diz o que precisamos ouvir.
Contudo, embora diga verdades e nos aponte erros, não nos destrói com sua fala ou com sua argumentação.
Dosa as palavras, utilizando-as na medida certa e como se ofertasse uma pedra preciosa, coloca-a em um estojo aveludado, a fim de que não nos fira a sensibilidade.
Quando nos aponta defeitos, não tem como intuito nos destruir, senão auxiliar o amadurecimento de nós mesmos.
Por isso, não nos repreende publicamente, nem expõe nossas mazelas, que conhece intimamente.
Amigo é aquele que está conosco, não para matar o tempo, mas sim para viver em abundância horas de felicidade.
É alguém que assiste um filme, lê um livro e enriquecendo-se com eles, os recomenda, sem, contudo, nos retirar o prazer de os conhecer por nós mesmos.
Amigo é alguém que, quando distante, parece continuar presente.
Sua voz, sua ternura, seus atos são acionados pela nossa memória, a cada vez que a saudade deseja fazer morada n´alma.
Para essa criatura, devemos dar o melhor de nós próprios.
Ele deve receber nossa atenção, nossa afeição, nossa lealdade.
Se ventos borrascosos tentarem empanar o brilho do sentimento que nos une, não esqueçamos dos dias felizes, das horas amargas juntos vividas.
Recordemos de quantas vezes a amizade dele nos socorreu, nos preencheu o vazio.
Lembremos de quantas vezes compartilhamos desejos, ideais, esperanças, sem palavras.
Lembremos... Lembremos...
*   *   *
Cultiva a amizade, preserva os amigos nos dias felizes.
Quando chegarem as horas de solidão e sentires ausência de afagos, sempre encontrarás nas amizades sólidas o preenchimento das tuas necessidades.
Redação do Momento Espírita, com base em
conto persa, de autoria ignorada.