quinta-feira, 26 de junho de 2014

A grande dor de um pai

Um adolescente, que cresceu no sul da Espanha, em uma pequena comunidade chamada Estepona, conta que, certo dia, seu pai lhe disse que poderia levá-lo de carro até um vilarejo isolado, mais ou menos a trinta quilômetros dali.
A condição única era de que levasse o carro a uma oficina ali perto. Jason acabara de aprender a dirigir e aceitou na hora a gloriosa oportunidade.
Levou o pai até a localidade, prometendo que retornaria às quatro horas da tarde. Foi até a oficina, deixou o carro para conserto e, como tivesse algumas horas livres, decidiu assistir a dois filmes, em um cinema perto da oficina.
Empolgado pelos filmes, não viu a hora passar e, quando acabou a sessão, eram seis horas.
Ele estava com duas horas de atraso. Imaginou que seu pai ficaria muito zangado e nunca mais o deixaria dirigir.
Por isso, pegou o carro na oficina e foi até o local onde deveria se encontrar com seu pai, que aguardava, pacientemente, na esquina.
Pediu desculpas pelo atraso e disse a ele que tinha vindo o mais rápido que pudera. O problema é que o carro havia necessitado uns consertos maiores e então se atrasara.
Nunca mais Jason haveria de esquecer de como seu pai o olhou naquele momento.
Fico desapontado por você achar que precisa mentir para mim. Quando você não apareceu na hora combinada, liguei para a oficina para ver se havia acontecido alguma coisa e eles disseram que o carro já estava pronto há muito tempo. Você é que não tinha aparecido.
Uma onda de culpa tomou conta de Jason, que resolveu contar toda a verdade.
O pai ouviu com atenção, enquanto seu rosto se cobria de tristeza.
Estou muito triste. Não com você, mas comigo. Sabe, eu me dou conta de que fracassei como pai, porque depois de todos esses anos você ainda acha que precisa mentir para mim.
Fracassei porque criei um filho que não consegue nem dizer a verdade ao próprio pai. Vou voltar para casa andando, para poder pensar onde errei.
Pai, disse Jason. São trinta quilômetros até nossa casa. Está escuro. Você não pode voltar andando.
Mas os protestos do garoto de nada adiantaram. O pai começou a andar pela estrada empoeirada, mãos nos bolsos, cabisbaixo.
Rapidamente, o adolescente pulou para dentro do carro e o seguiu de perto, esperando que ele fosse desistir.
Durante todo o caminho, ele implorou, dizendo que estava muito arrependido. Mas o pai continuou a caminhar em silêncio, pensando e sofrendo.
Jason dirigiu atrás dele por trinta quilômetros, numa média de oito quilômetros por hora.
Ver seu pai sofrendo tanto física, quanto emocionalmente, foi a experiência mais perturbadora e dolorosa que Jason já havia enfrentado.
Foi, também, a melhor das lições. Ele decidiu nunca mais mentir.
*  *  *
Pais decididos a bem orientarem seus filhos têm posturas definidas e não se importam o quanto lhes custe para ensinar o que seja correto.
Pode ser apenas uma longa caminhada de trinta quilômetros, ou pode ser uma quase interminável jornada de toda uma vida.
O importante é que os filhos cresçam para a luz, o bem e o amor, porque este é o objetivo maior da vida na Terra.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Um longo caminho
para casa, de Jason Bocarro, do livro Histórias para aquecer o coração dos
adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger,
ed. Sextante.