quarta-feira, 11 de junho de 2014

SUGESTÕES DA PARÁBOLA

Habitualmente recorremos à parábola do bom samaritano tão-só para exaltar a generosidade
daquele viajante de alma nobre, à frente do irmão menos feliz; forçoso, porém, salientar a
expectativa humana com reflexões que o companheiro tombado no infortúnio articulava
decerto.
Com que ansiedade aguardaria o socorro preciso!...
Tendo visto o sacerdote e o levita que passaram de largo, possivelmente perguntou a si
mesmo de que lhe valeriam a cultura e a preparação espiritual deles se o abandonavam ao
próprio desvalimento: e, observando o samaritano que se aproximava, não indagou quem ele
era, o que era o que sabia, o que detinha ou para onde se encaminhava... Com os olhos,
suplicou-lhe amparo e, no silêncio do coração, agradeceu-lhe a bênção dos braços
estendidos.
*
A narração de Jesus fala de dois homens evidentemente qualificados para a prestação de
serviço, que se deram pressa em se afastar, no resguardo das próprias conveniências, e
menciona outro, completamente desconhecido, que se consagrou ao mister da
solidariedade;com isso, o Divino Mestre nos conclama a todos para as tarefas do auxílio
mútuo.
**
Bastas vezes, perante os acidentados e espoliados do corpo e da alma, formulamos
escapatórias, no só intuito de sonegar os tributos naturais da fraternidade. Em várias
ocasiões, instados ao socorro por aqueles companheiros de experiência que sofrem muito
mais que nós,repetimos displicentemente: “quem sou eu?”, “não presto”, “sou um fardo de
imperfeições” ou “quem me dera poder”...
***
Situemo-nos, porém, no lugar e na angustiosa expectativa do irmão caído na estrada e
reconheceremos que Jesus nos espera como somos e como estamos para servir,
portanto,servindo,acabaremos aprendendo que todos somos filhos de Deus e que, se hoje
desfrutamos o privilégio de dar, talvez amanhã estejamos com necessidade de receber.