quarta-feira, 16 de julho de 2014

A arte da convivência pacífica

Uma das questões mais delicadas, no relacionamento interpessoal, é, justamente, a diversidade de opiniões que, quase sempre, é motivo de choques, discussões e desavenças.
Nesse sentido, o professor Léo Buscaglia tem uma teoria toda especial. Não somente teoria, pois procura aplicar a si próprio o que ensina.
Ele adora folhas e quando, no outono, elas caem das árvores, no seu gramado, simplesmente as deixa lá. Tem prazer em observá-las no chão.
Seus vizinhos, por sua vez, cuidam muito bem dos jardins e quintais. Alguns deles têm até uma máquina especial de recolher folhas, para evitar muita canseira.
Certo dia, o professor ministrava um seminário em sua casa a vários alunos da faculdade, quando alguns vizinhos bateram à porta.
Era uma espécie de comissão que vinha se oferecer para juntar todas as folhas espalhadas na frente, lados e fundos da sua casa.
Os alunos ficaram indignados e disseram que ele deveria responder que estava em sua casa e poderia agir como melhor lhe aprouvesse.
Mas o professor teve uma atitude diferente. Pediu desculpas aos vizinhos, pois não imaginara que as folhas, no seu quintal e jardim, os pudessem incomodar.
Contudo, que não se preocupassem. Ele mesmo, agora, naquele momento, iria recolher todas. E, virando-se para os alunos, disse:
Moçada, vamos lá. Todo mundo recolhendo as folhas. Coloquem em sacos, em barricas e tragam todas para a minha sala. Isso mesmo: espalhem todas pelo chão da minha sala.
E assim fizeram, continuando o seminário todos sentados no chão da sala, sobre as folhas.
Essa atitude pode ser chamada de perdão, compreensão, política da boa vizinhança. O importante é que evitou conflitos e o professor continuou com as suas folhas. Dentro de casa, onde ninguém, a não ser ele, poderia vir a se incomodar com elas.
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A lição bem poderia servir para o relacionamento conjugal. Quantas vezes crescem as discussões por coisas quase insignificantes?
Casais se separam porque a esposa não suporta que o marido aperte o tubo de pasta dental pelo meio. Seria tão simples resolver, comprando um tubo de pasta para cada um.
Ou então a esposa reclama porque o marido larga os pertences pela casa toda e ela tem que ser a empregada dele.
Poderia ser diferente. Enquanto não consegue discipliná-lo, o que vai requerer um certo tempo, vontade e esforço, poderia deixar tudo onde ele deixa.
E se amigos ou parentes perguntarem o que significa aquilo, simplesmente responder com bom humor: Não se preocupem. São as roupas do meu marido. Ele adora pôr os casacos no chão. Eu os deixo lá. Depois, quando ele tiver vontade, ele se diverte arrumando-os.
Pode parecer estranho, mas é uma forma diferente de dar valor àquilo que realmente tem valor.
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Exercitemos a paciência com os difíceis de conviver. Não há mérito quando alguém se mantém em paz somente entre corações pacíficos.
Exercitemos o amor com os que aparentemente não o merecem. Não é vantagem amar somente os cordatos e bons.
Finalmente, não reclamemos quando todos reclamam, embora com razão.
Sejamos aqueles que oferecem a gota da serenidade em meio à discussão e ao desassossego.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. A arte de ser plenamente humano,
do livro
Vivendo, amando e aprendendo, de Léo Buscaglia, ed. Nova Era e no cap. 19,
do livro
Glossário espírita cristão, pelo Espírito Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira
Franco, ed. LEAL.