quarta-feira, 2 de julho de 2014

Alimento do amor

Ter uma família bem estruturada, harmônica é o desejo de todos aqueles que a não possuem. Olham com uma certa inveja pais e filhos se abraçando, entre confidências e uma delicada cumplicidade de amor.
Os que constituem a família harmônica sabem que para mantê-la assim há um preço. Não é nada que possa ser comprado com cartão de crédito, títulos do mercado financeiro, ações da bolsa ou lingotes de ouro.
O preço é uma mistura de tempo, atenção e carinho. Parece simples, contudo, raras vezes nos dispomos a renunciar ao nosso tempo de descanso, de leitura, de lazer, de tarefas importantes para dedicar aos filhos, ao cônjuge, a quem amamos.
Atenção é algo que dispensamos quando nós nos sentimos sós e desejamos a companhia dos demais. E carinho?
Bom, carinho é algo que geralmente dizemos que os que amamos sabem que temos por eles, mas não fazemos nada para demonstrar.
Bem diferente daquela mãe de gêmeos que morava em uma casinha e criara a ambos com extremados cuidados.
Durante o curso do ensino médio, os garotos, que desejavam estar mais tempo com seus amigos e amigas, passaram a sair nos finais de semana, retornando tarde da noite para casa.
Então, fosse qual fosse a hora que retornassem, às vinte e três horas nos fins de semana comuns ou lá pelas duas da madrugada, quando havia baile no colégio, eles entravam no quarto da mãe e se deitavam em sua cama, um de cada lado.
Ali, no escuro, começavam a contar tudo o que havia acontecido. A conversa durava horas. A mãe parecia estar ouvindo um sofisticado aparelho de som estéreo, com um filho gêmeo de cada lado, rindo, recordando, reclamando, sonhando acordados.
Falavam de seus planos, suas esperanças, seus medos e suas experiências. Com eles, ela viajava pela terra da fantasia. Com as suas narrativas, parecia ver as garotas bonitas com quem tinham dançado, conversado, abraçado.
Até que um dia, os meninos, quase rapazes, se deram conta de que, na manhã seguinte, a mãe sempre levantava muito cedo para ir para o trabalho. Dela dependia o sustento da família. Sentiram-se quase envergonhados por não terem sido sensíveis, percebendo esse detalhe antes.
Por isso, falaram com a mãe, desculpando-se pela insensibilidade de até então e comentaram que, com certeza, ela deveria preferir não ser despertada quando voltassem para casa tarde da noite.
A resposta da mãe foi imediata, sincera e recheada de carinho:
Meus filhos, eu sempre posso voltar a dormir. Mas, lembrem-se, não poderei conversar sempre com os meus meninos.
*   *   *
Quando o amor verdadeiro adentra o lar, ilumina a família e se torna possível o entusiasmo com a vitória do outro e a participação das lutas comuns.
O amor renuncia sempre quando sabe que, assim, poderá melhor auxiliar.
O amor superior, no seio doméstico, sabe calar para apaziguar ou consegue falar para esclarecer, construir e abençoar.
Só no amor os filhos receberão dos pais a orientação para a vida, com segurança e fidelidade ao verdadeiro bem.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
Conversando com meus meninos, de John Trent, do
livro
Histórias para o coração da mulher, de Alice
Gray, ed. United Press e no cap. 1, do livro
Vereda
familiar, pelo Espírito Thereza de Brito,
psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.