segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vida a dois

Naturalmente, buscamos alguém para compartilhar nossa vida.
Movidos pelo desejo de amar e sermos amados, buscamos alguém, no anseio de realizar tal sonho.
Assim, a vida oportuniza encontros, conheceres que, aos poucos, ganham patamares diferentes.
Muitas vezes, inicia-se com uma amizade leve e despretensiosa.
Outras tantas, toma, logo de início, o vulto de uma paixão abrasadora, intensa.
Seja como for, é natural que, devagar, esse sentimento vá ganhando raízes.
Do flerte inicial, alcança o status oficial do namoro.
Conforme se estrutura e abre espaço na intimidade, contempla outros sonhos, como o da construção de um lar, o planejamento familiar, sonhos sonhados em conjunto.
Assim, a oportunidade da vida a dois se mostra como uma das maiores venturas que o jornadear terreno oferece, e um dos grandes desafios que o coração enfrenta.
Haverá um sentimento inicial, recíproco, como grande incentivo para decidirmos compartilhar nossa vida com alguém.
Porém, esse sentimento, longe de estar pronto e estruturado, ainda enfrentará embates, a fim de ganhar maturidade.
Isso porque, no exercício de compartilhar uma existência, se mostram naturais as questões das adaptações e do aprendizado mútuo, que se fazem diariamente.
E, como trazemos na intimidade nossas imperfeições, naturalmente, nossos relacionamentos assim serão: imperfeitos, um pouco desajustados.
Longe da ilusão de que toda relação significa um amor pronto e acabado, será no cotidiano da vida que esse sentimento terá a oportunidade de florescer e conquistar novos cimos.
Portanto, enquanto o amor ensaia seus primeiros passos, para que tenha oportunidade de fincar raízes, é necessário que outros sentimentos o acompanhem.
Para aprender amar, a amizade e o respeito serão excelentes companheiros.
A amizade se fará solidariedade nas horas difíceis. Será a companheira nas horas de dificuldades. Será a alegria na hora das conquistas.
Quando os dias se fizerem complicados, quando as lutas profissionais ou pessoais se fizerem mais pesadas, para um ou para outro, o respeito trará a compreensão e o entendimento.
Finalmente, quando os anos passarem, amizade e respeito permanecerão sempre, fiéis ao amor, quando esse, maduro e sábio, tiver fincado raízes profundas na vida de ambos.
*   *   *
Quem deseja construir o ninho de bendita convivência, realizando-se na vida a dois, apesar da consciência dos percalços, das lutas humanas, prepara-se, desde cedo, por meio de um decidido esforço pela autoeducação, para que aprenda a ser alegre, sem fingimento;
humilde, sem servilismo;
simples, sem relaxamento;
tranquilo, sem indiferença;
amigo, sem conivência negativa;
atencioso, sem submissão;
amoroso, sem tormentos lascivos.
Quando o materialismo, vulgar ou sofisticado, ceder lugar às amadurecidas reflexões sobre os porquês da vida planetária e sobre os planos da Divindade para cada um e para cada dois, o casamento terá grandes perspectivas de converter-se num curso de aperfeiçoamento das almas, que se preparam para prestar excelente cooperação com Deus, na Terra ou além dela.

Redação do Momento Espírita, com base no
cap. 6, do livro
Vereda familiar, pelo Espírito
Thereza de Brito, psicografia de Raul Teixeira,
ed. Fráter.